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domingo, 18 de março de 2012

Espiritismo e Consciência de Krishna

Espiritismo e Consciência de Krishna:
Um Estudo Comparativo em Transmigração da Alma,
Posição dos Espíritos (Bhutas), Epistemologia e Objeto de Culto



Espiritismo e Consciência de Krishna - Parte 1



PARTE 1 de 4

Lembro-me como se fosse hoje. Em minhas mãos, aquele livro que comprei sob a propaganda de que desdobraria os temas da palestra que eu havia acabado de ouvir com grande interesse. Na capa da obra, ao fundo, o topo de vários templos no que parecia ser o amanhecer ou o entardecer. Quando cheguei em casa, deitei em minha cama ainda com a roupa do corpo e li novamente na capa o título do livro, o qual me dizia muito, pois era o que eu vivia. Seu título: Em Busca da Verdade. Seu autor: A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada, fundador da Sociedade Internacional para a Consciência de Krishna.

Devorei cada página como se estivesse com muita fome. Tanto aprendi que mentalmente agradecia a Deus por aquele livro. Fui introduzido a temas como a impossibilidade de ser obediente a Deus sem uma descrição clara de Seus desejos e ordens, a necessidade fundamental de conhecermos em detalhes a personalidade de Deus para podermos amá-lO, a compreensão derradeira da ordenação do universo com base nos três modos da natureza material, a inutilidade de tentar ser honesto sem ter o conhecimento de que Deus é o proprietário de tudo e vários outros temas que, tamanha sua profundidade, sequer sabia de sua existência, menos ainda que haveria alguém capaz de apresentá-los de maneira tão acessível como o autor que agora eu lia.

Nem tudo me foi alegria ao término da leitura, no entanto. Em meu coração, além do contínuo agradecimento a Deus, estava o desejo de divulgar esse livro tanto quanto eu pudesse, a tantos amigos quanto eu tivesse. Porém, uma única página desta obra me desmotivava. Pensei então em comprar vários desse livro e presenteá-lo a amigos sem essa página que me incomodava, porém veriam que uma folha havia sido arrancada. Uma segunda ideia: Fotocopiá-lo tirando essa página e apagando os números das páginas, de modo que ninguém saberia do excerto. Por fim, não tomei nenhuma de minhas medidas cogitadas, pois minha ocupação em distribuir esse conhecimento teria de aguardar um pouco mais meu amadurecimento.

A referida passagem, enfim, era esta: “Como espíritos puros, todas as almas são iguais, inclusive nos animais”*. (p. 34) Ai de mim, como dizem os poetas. Por que a vida não pode ser mais fácil? Por que um autor que julguei conhecer tudo perfeitamente tinha essa “mácula” de tamanho contrassenso de afirmar que a alma que anima os animais e os homens é a mesma, com o agravante que descobri mais tarde, de que é a mesma alma também que pode passar inclusive por corpos vegetais?

*PRABHUPADA, A.C. Bhaktivedanta Svami. Perguntas Perfeitas Respostas Perfeitas. São Paulo: BBT, 2012, p. 34. Perguntas Perfeitas Respostas Perfeitas é o novo título que em português que se deu ao então Em Busca da Verdade, esta edição agora com tradução literal do título original da obra, Perfect Questions Perfect Answers.

Minha dificuldade se dava por minha formação espírita, a qual, embora me tenha conduzido a buscar a reunião que assisti sobre a consciência de Krishna, em virtude de utilizar termos da mesma, como karma e chakra*, tinha diferentes concepções acerca destes conceitos e outros, e, como foi o espiritismo a religião que me convenceu da existência de Deus, livre-arbítrio, transmigração da alma e outros tópicos, era-me difícil lidar com os conflitos entre ela e meu novo achado da consciência de Krishna.

*Karma e chakra não são, a rigor, conceitos doutrinários do espiritismo. Seu uso entre os espíritas é considerado fruto de hibridismo com religiões orientais. Tais termos não se encontram na obra kardeciana, sendo encontrados apenas em obras subsidiárias.

Hoje, passados oito anos desde este meu primeiro contato com a consciência de Krishna, graduei-me em Bhakti-sastri* após residência no Seminário de Filosofia e Teologia Hare Krishna de Campina Grande e traduzi para a ISKCON mais de dez livros, cem artigos e outros materiais, além de ter-me dado a leituras diversas sobre o assunto da consciência de Krishna. Esse acúmulo de conhecimento de minha parte tanto da doutrina espírita quanto da consciência de Krishna faz-me sentir obrigado a produzir este material de estudo comparado, para o benefício tanto dos espíritas quanto dos adeptos da consciência de Krishna. Para os primeiros, uma oportunidade de diálogo inter-religioso não muito explorada. Embora os espíritas promovam sua religião em conflito com religiões que duvidam do contato com os espíritos; a consciência de Krishna é um desafio inteiramente novo, dado que acredita plenamente nesta comunicação, mas a tem como irrelevante para investigações acerca de Deus, da alma e da matéria inerte. Aos adeptos da consciência de Krishna, este tenta esclarecer algumas das zonas de conflito entre as duas religiões para fortalecimento da fé de tais adeptos com argumentos científicos, lógicos e teológicos. As zonas de conflito a serem analisadas são reencarnação em oposição a metempsicose, conhecimento descendente em oposição a conhecimento ascendente, equivalência de espíritos de luz e almas espirituais semipiedosas identificadas com o corpo, e culto a tais indivíduos e adoração exclusiva a Deus.

*Título obtido pelo sucesso em uma prova internacional a que se submetem os membros do Movimento Hare Krishna e outros interessados após estudo básico de sânscrito e estudo profundo das obras O Bhagavad-gita Como Ele É, Isopanisad, Néctar da Devoção (Bhakti-rasamrta-sindhu) e Néctar da Instrução (Upadesamrta).

Transmigração da Alma: Reencarnação e Metempsicose

Ambas as religiões em análise têm como princípio básico que a alma espiritual indestrutível tem a faculdade de transmigrar para um corpo novo ante a destruição do corpo em que se encontrava anteriormente. Em O Livro dos Espíritos*, encontramos: “Chamamos alma ao ser imaterial e individual que em nós reside e sobrevive ao corpo” (Introdução, p. 15), “A alma passa então por muitas existências corporais? ‘Sim, todos contamos muitas existências’” (2.4.166b), e, em seguida, afirma-se que “vivemo-las em diferentes mundos” (2.4.172).

*KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Rio de Janeiro: FEB, 1995

Todos estes três pontos são comuns à consciência de Krishna, como evidenciamos por estes versos introdutórios do Bhagavad-gita*. No atinente à continuidade da alma após a morte do corpo: “Para a alma, em tempo algum existe nascimento ou morte. Ela não passou a existir, não passa a existir e nem passará a existir. Ela é não nascida, eterna, sempre existente e primordial. Ela não morre quando o corpo morre”. (2.20) No atinente às múltiplas existências: “Assim como alguém veste roupas novas, abandonando as antigas, a alma aceita novos corpos materiais, abandonando os velhos e inúteis” (2.22), e também “Assim como, neste corpo, a alma corporificada seguidamente passa da infância à juventude e à velhice; do mesmo modo, chegando a morte, a alma passa para outro corpo. Uma pessoa ponderada não fica confusa com tal mudança”. (2.13) No atinente à existência em diferentes planetas: “Aqueles situados no modo da bondade gradualmente elevam-se aos planetas superiores; aqueles no modo da paixão vivem nos planetas terrestres; e aqueles no abominável modo da ignorância descem para os mundos infernais”. (14.18)

*Todas as citações do Bhagavad-gita aqui contidas são as traduções de O Bhagavad-gita Como Ele É, disponível gratuitamente e em português em vedabase.com/pt-br/bg.

Os pontos de conflito entre o espiritismo e a consciência de Krishna, como analisaremos aqui, estão no fato de que o espiritismo advoga, ou parece advogar, que a alma que ocupa os corpos humanos jamais habitou corpos animais ou então que, uma vez que tenha deixado os corpos animais em sua evolução a partir de sua criação por Deus “simples e ignorantes” (Livro dos Espíritos 2.1.115), jamais poderia retornar a um corpo animal dado que isto contradiz a lei do progresso, lei esta que dá título ao capítulo sexto da obra O Livro dos Espíritos. Tal ensinamento é chamado “reencarnação”, em oposição a “metempsicose”, cuja transmigração de uma mesma categoria de alma – categoria única, distinta apenas de Deus e da matéria inerte – se dá por todos os corpos.

Nesta passagem de O Livro dos Espíritos, nega-se a transmigração de uma mesma espécie de alma por corpos humanos e animais, atribuindo a eles “almas diferentes”:

Pois que os animais possuem uma inteligência que lhes faculta certa liberdade de ação, haverá neles algum princípio independente da matéria?

“Há e que sobrevive ao corpo”.

Será esse princípio uma alma semelhante à do homem?

“É também uma alma, se quiserdes, dependendo isto do sentido que se der a esta palavra. É, porém, inferior à do homem. Há entre a alma dos animais e a do homem distância equivalente à que medeia entre a alma do homem e Deus”. (2.11.597 e 597a)

A alma animal, ainda segundo a mesma obra (2.11.601), evolui por diferentes corpos animais, tal como a alma humana:

Os animais estão sujeitos, como o homem, a uma lei progressiva?

“Sim; e daí vem que nos mundos superiores, onde os homens são mais adiantados, os animais também o são, dispondo de meios mais amplos de comunicação. São sempre, porém, inferiores ao homem e se lhe acham submetidos, tendo neles o homem servidores inteligentes.”

A consciência de Krishna, baseada nos Vedas, declara, no entanto, que existe uma só alma que habita por diferentes corpos, passando por todas as formas inferiores até atingir a forma humana. No Brahma Vaivarta Purana, por exemplo, figura os seguintes versos: “Atinge-se a forma humana de vida após a transmigração por milhões de espécies ao longo do processo gradual de evolução, e essa vida humana é arruinada pelos tolos orgulhosos que não se refugiam nos pés de lótus de Govinda [Deus]”*. O Padma Purana descreve esse número de formas antecedentes à forma humana pelas quais passa a alma: “Em todo o universo, existem 900.000 espécies aquáticas; 2.000.000 de entidades vivas imóveis, como árvores e plantas; 1.100.000 espécies de insetos e répteis, e 1.000.000 de espécies voadoras. No que diz respeito aos animais terrestres, existem em número de 3.000.000, e as espécies humanas existem em número de 400.000”**.

*VedaBase: 25. Song, Prayer and Verse Books / Srila Prabhupada Slokas / Selected Verses From the Puranas / Brahma Vaivarta Purana. info.vedabase.com. O verso original diz: asitim caturas caiva laksams tan jiva-jatisu/ bhramadbhih purusaih prapyam manusyam janma-paryayat/ tad apy abhalatam jatah tesam atmabhimaninam/ varakanam anasritya govinda-carana-dvayam.

**VedaBase: 25. Song, Prayer and Verse Books / Srila Prabhupada Slokas / Selected Verses From the Puranas / Padma Purana. O verso original diz: jalaja nava-laksani sthavara laksa-vimsati/ krmayo rudra-sankhyakah paksinam dasa-laksanam/ trimsal-laksani pasavah catur-laksani manusah.

No Srimad-Bhagavatam* (3.29.28-32), encontramos uma descrição ainda mais detalhada, a qual nos informa que o tato é o primeiro sentido que se experimenta, o qual se desenvolve ao se ter um corpo de árvore. Em seguida, experimenta-se paladar ao se obter um corpo de peixe. Após o corpo de peixe, pode-se obter um corpo como de abelha e desenvolver olfato. A audição então se faz presente rudimentarmente em um corpo de cobra, e, mais adiante, pode-se ter um corpo que tem todos os sentidos e ainda é capaz de distinguir formas, como os corpos de algumas aves e, por fim, de quadrupedes. Finalmente, tem-se o corpo humano. Os seres humanos ainda são divididos entre diferentes níveis de estruturação social e rendição a Deus, partindo dos seres humanos incivilizados e indo até “o devoto puro de Deus, que Lhe presta serviço devocional sem nenhuma expectativa”.

*As citações do Srimad-Bhagavatam são traduções minhas da tradução inglesa de Srila Prabhupada, disponível em vedabase.com/en/sb.

O leitor mais arguto deve ter atentado que, na ocasião em que eu disse que o espiritismo advoga que a alma que ocupa os corpos humanos jamais habitou corpos animais ou então que, uma vez que tenha deixado os corpos animais em sua evolução a partir de sua criação, jamais poderia retornar a um corpo animal, eu intercalei o seguimento “ou parece advogar”. A explicação para isto é que, como veremos em discussões acerca de epistemologia, a revelação dos espíritos não é um sistema fechado e concluído como o da consciência de Krishna, isto porque seus reveladores são investigadores no modelo de investigação científico-filosófico, isto é, baseado respectivamente na percepção dos sentidos e da mente, motivo pelo qual certamente terão conflitos entre si como têm os cientistas e filósofos encarnados. Assim é que um mesmo espírito pode ter diferentes opiniões em diferentes momentos ou variados espíritos terem diferentes opiniões contemporâneas, e encontramos no Livro dos Espíritos (p. 303) que isso de fato se dá com a dicotomia reencarnação e metempsicose e acerca da relação entre os homens e os animais:

O ponto inicial do espírito é uma dessas questões que se prendem à origem das coisas e de que Deus guarda o segredo. Dado não é ao homem conhecê-las de modo absoluto, nada mais lhe sendo possível a tal respeito do que fazer suposições, criar sistemas mais ou menos prováveis. Os próprios espíritos longe estão de tudo saberem e, acerca do que não sabem, também podem ter opiniões pessoais mais ou menos sensatas. É assim, por exemplo, que nem todos pensam da mesma forma quanto às relações existentes entre o homem e os animais. Segundo uns, o espírito não chega ao período humano senão depois de se haver elaborado e individualizado nos diversos graus dos seres inferiores da Criação*. Segundo outros, o espírito do homem teria pertencido sempre à raça humana, sem passar pela fieira animal. O primeiro desses sistemas apresenta a vantagem de assinar um alvo ao futuro dos animais, que formariam então os primeiros elos da cadeia dos seres pensantes. O segundo é mais conforme à dignidade do homem. (grifo nosso)

*Emmanuel, por exemplo, em várias psicografias de Chico Xavier, defende esta primeira teoria contra a opinião daqueles que compuseram O Livro dos Espíritos: “O animal caminha para a condição do homem tanto quanto o homem evolui no encalço do anjo”. (Alvorada do Reino, Na Senda da Ascensão) Em sua obra Emmanuel: Dissertações Mediúnicas sobre Importantes Questões que Preocupam a Humanidade, encontramos:

“Como o objetivo desta palestra é o estudo dos animais, nossos irmãos inferiores, sinto-me à vontade para declarar que todos nós já nos debatemos no seu acanhado círculo evolutivo. São eles os nossos parentes próximos, apesar da teimosia de quantos persistem em o não reconhecer. Considera-se, às vezes, como afronta ao gênero humano a aceitação dessas verdades. E pergunta-se como poderíamos admitir um princípio espiritual nas arremetidas furiosas das feras indomesticadas, ou como poderíamos crer na existência de um rio de luz divina na serpente venenosa ou na astúcia traiçoeira dos carnívoros. Semelhantes inquirições, contudo, são filhas de entendimento pouco atilado”. (XAVIER, Chico. FEB. p. 119)

Interessante notar que o espiritismo diz que sua validade está em não haver contradição entre os espíritos: “Uma só garantia séria existe para o ensino dos espíritos: a concordância que haja entre as revelações que eles façam espontaneamente, servindo-se de grande número de médiuns estranhos uns aos outros e em vários lugares”. (O Evangelho Segundo o Espiritismo, p. 31)

Assim, não há uma base sólida acerca do posicionamento dos espíritos em relação a se a alma anima primeiramente corpos animais ou começa já em corpos humanos, logo não há um posicionamento absoluto acerca de se a alma animal progride unicamente por corpos animais ou se é a mesma sorte de alma que anima agora corpos humanos. Contudo, como a obra O Livro dos Espíritos mostra predileção pela teoria de que existem dois tipos de almas, humanas e animais, ou mais precisamente, três, uma também apenas a animar vegetais*, tomaremos isso como o fundamento espírita e o iremos expor aos ensinos conscientes de Krishna.

A primeira dificuldade para sustentar a teoria espírita de que os animais sempre serão animais e sempre foram animais é que ela é contraditória com o senso de justiça vinculado a que alguém sofre por mau uso de seu livre-arbítrio e que alguém tem conforto por bom uso de seu livre-arbítrio, o que é aceito por ambas as religiões em estudo. No entanto, como os animais não têm livre-arbítrio (Livro dos Espíritos 2.11.599), o que ambas as religiões concordam, Deus Se torna injusto na teoria espírita, pois todo o sofrimento excruciante pelo qual passam, por exemplo, as vacas, porcos, galinhas e outros animais em fazendas-fábricas e abatedouros* é um sofrimento desmerecido, não decorrente de nenhuma escolha ruim, tampouco há justiça ou justificativa em uma vaca viver livremente e outra não. Deste modo, Deus torna-Se alguém horrendo que criou almas animais apenas para animarem corpos animais inferiores e irem progredindo por corpos animais superiores sempre sofrendo as dores do nascimento, da morte, da velhice e da doença mesmo não tendo feito nenhuma má escolha ou ato contrário à vontade de Deus. Tais almas animais são submetidas a um processo automático (idem. 2.11.602) de evolução por diferentes corpos – reitero, dolorosíssimo – e evoluem sem nenhum mérito para chegarem ao estágio máximo delas, estágio máximo este no qual não conhecem Deus (idem. 2.11.603)**.

*Aqueles que não estão inteirados deste “avanço” da civilização podem se inteirar do mesmo assistindo ao documentário Terráqueos [Earthlings] ou similares. O referido documentário está disponível neste weblink: terraqueos.org. Outros documentários similares se encontram na mesma página.

**Desenvolvi, a princípio, estar argumentação sob o norteamento de Santo Anselmo, que diz que o conceito perfeito de Deus é, entre outras coisas, de um ser absolutamente justo e infinitamente bom, e que o conceito em que se tenha uma justiça e uma bondade insuperáveis é o conceito verdadeiro. Semelhante argumentação que apresento, no entanto, parece também estar inteiramente em A Gênese (3.12), onde se diz: “Se os animais são dotados apenas de instinto, não tem solução o destino deles e nenhuma compensação os seus sofrimentos, o que não estaria de acordo nem com a justiça, nem com a bondade de Deus”.

A única maneira de se conciliar existir sofrimento no mundo e Deus ser onipotente e bom é a exigência do amor ser precedido por livre-arbítrio, haja vista que um amor forçado não é amor, dado que amar exige a espontaneidade de ter o direito de não amar. Agora, se os animais jamais conhecerão Deus para amá-lO e não têm livre-arbítrio, por que os criar e os submeter a uma evolução dolorosa e sem sentido até o estágio de perfeição em que não conhecem seu criador? Certamente é absurdo atribuir a Deus tamanho capricho, em virtude do que o Livro dos Espíritos só pode dizer sobre isso as palavras com que encerra o capítulo nono da parte segunda: “Quanto às relações misteriosas que existem entre o homem e os animais, isso, repetimos, está nos segredos de Deus”.

O conhecimento da consciência de Krishna, no entanto, mantém Deus como justo ao colocar que os animais sofrem porque as almas que habitam tais animais que estão sofrendo com nascimento, morte, doenças e velhice fizeram mau uso de seu livre arbítrio, isto é, não procederam de acordo com a vontade de Deus, quando possuíam corpos humanos ou no ato de se desconectarem de Deus. Assim é que um açougueiro ou aqueles que comem carne terão de nascer, pelas reações de seus pecados, em corpos de animais que serão brutalmente criados e abatidos. Os corpos animais para as almas também têm um propósito muito amável, que é que uma alma em condição pecaminosa pode dar vazão a suas tendências pecaminosas sem criar novo mau karma. Deste modo, alguém afeito a dormir excessivamente pode ter um corpo de urso; alguém afeito a comer carne, um corpo de tigre; alguém afeito à promiscuidade, um corpo de macaco e assim por diante. Caso se fizesse tais atos no corpo humano, incorreria em grandes reações pecaminosas. Porém, com a oportunidade de fazer tais coisas em corpos animais, o indivíduo dá vazão a seus pecados e pode, quando Deus considerar apropriado, habitar novamente um corpo humano já esgotado desse hábito. Assim é que o Garuda Purana (2.46.9-10) afirma sobre as almas pecaminosas que estão deixando os planetas infernais: “Quando as torturas expiatórias e restringentes cessam, as entidades vivas nascem novamente na forma humana ou em uma forma animal com os traços característicos de seus pecados”. Por traços característicos dos pecados, entende-se uma pessoa incestuosa nascer cão ou alguém que não discrimina o que comer e o que não comer nascer como porco.

Com a metempsicose, a justiça de Deus é preservada, pois o sofrimento da alma no corpo animal tem um porquê imediato, isto é, suas ações passadas, e tem um propósito futuro: uma vez que atinja a perfeição em um dos 400.000 tipos de corpos humanos que propiciam o livre-arbítrio de poder render-se a Deus, conhecerá Deus e se relacionará com Ele em serviço devocional e bem-aventurança eterna.

Embora o espiritismo diga, como citado anteriormente, que talvez as almas que hoje habitam os corpos humanos tenham sim habitado corpos animais, o espiritismo em momento algum assume que a alma possa involuir, o que eles acreditam acontecer na metempsicose. Isto é um erro, no entanto; ao menos na metempsicose mais antiga que se conhece – a metempsicose consciente de Krishna. No Bhagavad-gita (2.40), Krishna diz: “Neste caminho [o caminho da gradual rendição a Deus] não há perda nem diminuição, e um pequeno esforço neste caminho pode proteger a pessoa do mais perigoso tipo de medo”. Em outras palavras, como explica Prabhupada em seu comentário, qualquer avanço que uma alma tenha feito em se render a Deus está eternamente no crédito dela, e ela sempre continuará daquele ponto, e Krishna diz que, desde que ela continue fazendo o mínimo progresso (pequeno esforço) ela estará livre do mais perigoso tipo de medo (cair em uma forma sub-humana). Aqui pode parecer haver uma contradição: Não há perda nem diminuição, ou involução, mas, se ela parar de progredir, cairá em corpos animais. Isso não é uma contradição assim como os espíritas aceitam que alguém que foi doutor em Letras pode, caso aja pecaminosamente, nascer como alguém cego, surdo, mudo e paralítico. Tal aparente involução, isto é, alguém antes pesquisador acadêmico sequer ter sentidos e consciência o bastante para interagir ou se movimentar, é um estado temporário de “inferioridade” à vida passada, o qual, quando superado e terminado, terá sido um grande aprendizado para o doutor, que poderá então continuar seu progresso novamente em um corpo com inteligência, mas temeroso de pecar e reconsiderando se o mero conhecimento acadêmico realmente constitui progresso.

Assim é que, quando alguém cai em um corpo animal após ter tido um corpo humano, ao deixar o corpo animal – ou os vários corpos animais, a depender de seus atos –, retoma sua vida com livre-arbítrio do ponto de rendição a Deus em que estava, e sua experiência em determinado corpo animal serve-lhe de lição ou de esgotamento de alguma tendência animalesca que tinha mesmo no corpo humano.

A história do rei Bharata, por exemplo, relatada no Quinto Canto do Srimad-Bhagavatam – para o qual já fornecemos um weblink – relata a história de um rei que renunciou seu reino quando mais velho e se recolheu para a floresta para se dedicar a práticas espirituais. Contudo, porque negligenciou sua vida espiritual tendo-se atraído por um veadinho na floresta, adquiriu um corpo de veado na vida seguinte. No corpo de veado, intuitivamente rumou para a casa de grandes devotos de Deus e lá ficou até morrer. Uma vez de volta ao corpo humano, na vida seguinte, ele retomou sua vida espiritual com muito mais seriedade e cuidado. Assim, é evidente que, embora tenha adquirido um corpo sub-humano após ter tido um corpo humano, não houve involução da consciência, mas uma experiência chocante tal qual alguém que alguma vez enxergou porém teve um nascimento cego. Assim, negar a metempsicose porque a mesma pressupõe a involução da consciência é ignorância de todos os sistemas de metempsicose*, visto que a metempsicose dos Vedas, escrituras estas que formam a base do movimento Hare Krishna, conciliam perfeitamente a transmigração por diferentes corpos sem aceitar a involução da consciência. Tal aparente “involução” pode ser comparada a alguém que estava caminhando para frente e, ao se deparar com um buraco à sua frente, recua um pouco para saltá-lo. Tal recuo não é um retrocesso em seu caminhar para frente, mas parte de seu progresso.

*Parece que o espírito que se posiciona contra a metempsicose se informou insuficientemente, apenas em fontes semelhantes àquelas consultadas por Jung, que também possuía conhecimento incompleto da metempsicose: “O conceito de renascimento é multifacetado. Em primeiro lugar destaco a metempsicose, a transmigração da alma. Trata-se da ideia de uma vida que se estende no tempo, passando por vários corpos, ou da sequência de uma vida interrompida por diversas reencarnações. O budismo especialmente centrado nessa doutrina – o próprio Buda vivenciou uma longa série de renascimentos – não tem certeza se a continuidade da personalidade é assegurada ou não; em outras palavras, pode tratar-se apenas de uma continuidade do karma. Os discípulos perguntaram ao mestre, quando ele ainda era vivo, acerca desta questão, mas Buda nunca deu uma resposta definitiva sobre a existência ou não da continuidade da personalidade”. (JUNG, Carl Gustav. Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo. Petrópolis: Vozes, 2002. p. 119). Quando tal afirmação de Jung, que não conseguiu estender-se para a psicose mais antiga que se conhece, a metempsicose védica ou pré-budista, foi apresentada a Srila Prabhupada, este comentou:

“Srila Prabhupada: Uma personalidade está sempre presente, e mudanças corpóreas não mudam isso. A pessoa, entretanto, identifica-se de acordo com o seu corpo. Quando, por exemplo, a alma está dentro do corpo de um cachorro, ela pensa de acordo com aquela construção corpórea particular. Ela pensa: “Sou um cachorro, e tenho minhas atividades particulares”. Na sociedade humana, a mesma concepção está presente. Por exemplo, quando alguém nasce na América, ele pensa: “Sou americano, e tenho meu dever”. De acordo com o corpo, a personalidade se manifesta, mas, em todos os casos, a personalidade está presente. Discípulo: Mas essa personalidade é contínua? Srila Prabhupada: Certamente a personalidade é contínua. À morte, a alma passa para outro corpo grosseiro juntamente com suas identificações mentais e intelectuais. O sujeito obtém diferentes tipos de corpos, mas a pessoa é a mesma”. (Beyond Illusion and Doubt. Cap. 15. vedabase.com/en/bid/15)

Então, porque o espiritismo não possui uma resposta clara sobre se a alma que atualmente ocupa corpos humanos já ocupou corpos animais, e porque seu argumento de que a metempsicose não pode ser real porque implica a involução da consciência é produto de ignorância da metempsicose consciente de Krishna, temos aqui, acredito, bastante espaço para reflexão.

Algo muito interessante é que Krishna deixou-nos já uma fórmula no Bhagavad-gita, cinco mil anos atrás, que nos informa que a opinião de quem reside onde residem aqueles que conversaram com Allan Kardec é, em geral, de que existem diferentes tipos de almas. Tal fórmula é dada no Bhagavad-gita (18.20-22):

Você deve compreender que está no modo da bondade aquele conhecimento com o qual se percebe uma só natureza espiritual indivisa em todas as entidades vivas, embora elas se apresentem sob inúmeras formas. O conhecimento com o qual se vê que em cada corpo diferente há um tipo diferente de entidade viva, você deve entender que está no modo da paixão. E o conhecimento pelo qual alguém se apega a um tipo específico de trabalho como se fosse tudo o que existe, sem conhecimento da verdade, e que é muito escasso, diz-se que está no modo da ignorância.

O universo, segundo os Vedas, é regido por três cordas, ou modos da natureza material, os quais se chamam bondade, paixão e ignorância. Assim, classifica-se tudo nos três modos, como alimentação, caridade etc. Pode-se ler sobre os mesmos nos capítulos 14, 17 e 18 do Bhagavad-gita. Aqui Krishna está dizendo que, quando alguém está no modo da ignorância, esse alguém quer apenas trabalhar, sendo indiferente a discussões se a alma existe ou não existe, se ela é a mesma tramitando por diferentes corpos ou se cada tipo de corpo comporta um tipo de alma. Em seguida, superiores são as pessoas controladas pelo modo da paixão, as quais já aceitam a existência da alma, embora, por seus sentidos imperfeitos e por seu desejo de explorar os outros, digam que a alma da mulher, do índio, do negro ou dos animais é inferior. Por fim, existem aqueles no modo da bondade, o melhor de todos, os quais percebem que é a mesma alma que aparece em diferentes corpos, assim como a mesma luz branca às vezes parece azul, vermelha ou amarela a depender da cor do invólucro que recebe.

Assim, as escrituras conscientes de Krishna dizem que onde residem aqueles que conversaram com Allan Kardec é uma morada no modo da paixão (Srimad-Bhagavatam 4.29.28, significado), a qual se chama, em sânscrito, Antariksa, daí a opinião deles. A tese espírita ser prevista milênios antes do surgimento do espiritismo e ainda propor uma tese superior é certamente algo que deve promover buscadores sinceros a considerarem se não há livros na Terra mais avançados do que os cinco livros codificados por Kardec e similares. A leitura do Bhagavad-gita Como Ele É, na companhia daqueles que já o estudam há mais tempo, é um começo recomendável. Acerca da localização das colônias espíritas e sua identificação com o modo da paixão, falaremos mais adiante, na seção denominada “Uma análise da posição dos espíritos segundo a consciência de Krishna”.

Ainda nos argumentos na dicotomia reencarnação e metempsicose, além dos argumentos da questão do sofrimento a quem nunca teve livre-arbítrio para fazer algo que merecesse sofrimento e de que Krishna previu esse argumento para aqueles que habitam Antariksa, há o argumento moral, possivelmente o mais forte, de que perceber outras entidades vivas como ontologicamente inferiores é a inconsciência fundamental para se explorar o outro. Só me é possível explorar o negro, a mulher, o judeu ou o índio, por exemplo, depois que eu me convencer de que são menos importantes para Deus ou inferiores a mim, pois, se são iguais a mim, dou o direito de que façam comigo o mesmo que faço com eles, e se são tão importantes para Deus quanto eu sou, Deus me punirá de alguma forma. Assim, vê-se rotineiramente que, conquanto os espíritas se apiedem de seres humanos em sofrimento, são promotores do sofrimento dos animais em seus hábitos alimentares, de vestes etc., hábitos estes tendo em vista o gozo dos sentidos. No Movimento Hare Krishna, todo membro faz o voto vitalício de não comer carne, peixe ou ovos, e as verduras e outros alimentos também são ingeridos apenas após serem consagrados a Deus. Assim, é visível a superioridade moral e caridosa naqueles possuidores da visão de que a alma que anima os animais e plantas não é por natureza inferior ou sem o propósito de um dia alcançar Deus, mas uma alma tal como nós que agora estamos em corpos humanos*.

*Esta questão de que o fundamento para não explorarmos os animais ou humanos de diferentes categorias se encontra na necessidade de os vermos como indivíduos na mesma categoria que nós, uma categoria única abaixo de Deus, fica evidente caso contrastemos, por exemplo, espíritos que acreditam que os animais possuem almas constitucionalmente inferiores e aqueles que pensam diferente. Vemos, por exemplo, que os reveladores do Livro dos Espíritos, partidários da ideia de que a alma em um corpo animal é distinta, e eternamente distinta, da alma em um corpo humano, não promovem o vegetarianismo e o consequente bem-estar dos animais: “Dada a vossa constituição física, a carne alimenta a carne, do contrário o homem perece. A lei de conservação lhe prescreve, como um dever, que mantenha suas forças e sua saúde, para cumprir a lei do trabalho. Ele, pois, tem que se alimentar conforme o reclame a sua organização” (O Livro dos Espíritos 3.5.723). O já mencionado espírito Emmanuel, partidário da ideia de que as almas que ocupam corpos animais e humanos são as mesmas, defende o vegetarianismo: “A ingestão das vísceras dos animais é um erro de enormes consequências, do qual derivaram numerosos vícios da nutrição humana. É de lastimar semelhante situação, mesmo porque, se o estado de materialidade da criatura exige a cooperação de determinadas vitaminas, esses valores nutritivos podem ser encontrados nos produtos de origem vegetal, sem nenhuma necessidade dos matadouros e frigoríficos... Consolemo-nos com a visão do porvir, sendo justo trabalharmos, dedicadamente, pelo advento dos tempos novos em que os homens terrestres poderão dispensar da alimentação os despojos sangrentos de seus irmãos inferiores”. (O Consolador, questão 129) Assim fica aparente que, por trás do empenho em categorizar o outro como ontologicamente inferior, está o desejo e o ato degradado de explorá-lo.

Deste modo, apresentado o sistema de metempsicose do Movimento Hare Krishna, que remonta mais de 50 séculos na história registrada, sistema este que não nega a evolução permanente da consciência e que a evolução da alma pelos animais é progressiva, a metempsicose passa a ser verdadeira segundo estes dizeres da página 303 do Livro dos Espíritos: “Seria verdadeira a metempsicose se indicasse a progressão da alma, passando de um estado a outro superior, onde adquirisse desenvolvimentos que lhe transformassem a natureza”.

por Thiago Costa Braga
(Bhagavan Dasa Adhikari Bhakti-sastri)

terça-feira, 4 de outubro de 2011

O poder da associação com um devoto PURO!

Srila Prabhupada estava viajando para a América do Sul com dois devotos ajudantes e o templo em que estiveram deu a eles almoço embalado, para comer no avião. Srutakirti abre o pacote para Srila Prabhupada e serve para ele a prasadam de arroz com amendoim. Prabhupada comeu e passou o resto para Srutakirti que começou a comer quando, de repente, a aeromoça chega perto e diz que a comida parece gostosa, pega um punhado, põe na boca e come! Prabhupada sorriu e Srutakirti ficou chocado.



Então ela pergunta porque eles trouxeram sua própria comida. Srukakirti explica que eles são vegetarianos, etc. Ela imediatamente pergunta se havia algo mais que ela pudesse servir, como frutas ou leite.



Prabhupada pediu leite quente. Cinco minutos depois ela volta com 3 copos de leite que ela pegou da primeira classe. Prabhupada agradeceu e os devotos conversaram sobre o fato. Prabhupada comentou que servir é um gesto natural de uma mulher piedosa. Por anos essa foi uma dos fatos preferidos que Srutakirti gostava de contar.



Agora, a segunda parte:



Srutakirti esteve recentemente na América do Sul e estava pregando lá, vendendo o livro "Qual é a dificuldade?", e contou esse fato e um devoto disse: quer ouvir uma coisa impressionante?



Tal devoto estava indo de porta em porta numa pequena vila no Brasil quando foi numa casa onde morava uma senhora. Ela abriu a porta, estava usando tilaka e disse para o devoto entrar. Sua casa parecia um templo, com altar e Deidades, gravuras de Krishna nas paredes e todos os livros de Srila Prabhupada na estante escritos em Português. O devoto teve que perguntar como ela se tornou uma devota. Ela disse que anos atrás tinha sido aeromoça, quando encontrou o autor daqueles livros, ele parecia tão santo e gentil que ela foi olhar no seu passe de vôo quem ele era e o que fazia. Então ela conseguiu alguns de seus livros e começou a ler. Os livros recomendavam que ela cantasse o mantra, então ela começou a cantar e a oferecer comida a Krishna, e se tornou devota devido àquele pequeno contato.







Srutakirti ficou abismado, e ao mesmo tempo, entendeu o poder da prasada e do contato com um devoto puro como Srila Prabhupada. Agora essa se tornou uma das passagens favoritas de Srutakirti, para contar também!



Aquela aeromoça era Brasileira!



- história enviada por Bn. Marina

terça-feira, 16 de agosto de 2011

artigo - Santos e Serpentes






Santos e Serpentes



Todos os dias, aumenta aos milhares o número de pessoas interes­sadas em praticar yoga e meditação. Infelizmente, uma pessoa que esteja buscando um guia adequado provavelmente encontrará um cortejo desorientador de gurus mágicos e de estilo próprio, e de deuses autoproclamados. Em entrevista cedida à London Times, Srila Prabhupada explica como um buscador sincero pode saber a diferença entre um farsante e um guia espiritual genuíno.


Repórter: Sua Graça, parece que, mais do que nunca, as pessoas estão buscando algum tipo de vida espiritual. Gostaria de saber se o senhor poderia explicar o porquê.


Srila Prabhupada: O desejo de vida espiritual é um anseio abso­lutamente natural. Por sermos almas espirituais, não podemos ser fe­lizes na atmosfera material. Se você tira um peixe da água, ele não pode ser feliz em terra. Analogamente, se não temos consciência espiritual, não podemos ser felizes. Atualmente, muitas pessoas estão a buscar por avanço científico e desenvolvimento econômico, mas elas não são felizes porque essas não são as verdadeiras metas da vida. Muitos jovens estão compreendendo isso, e estão rejeitando a vida materialista e tentando buscar a vida espiritual. Na verdade, essa é a busca correta. A consciência de Krsna é a meta correta da vida. A menos que você adote a consciência de Krsna, não poderá ser feliz. Isto é um fato. Por isso, convidamos todos ao estudo e ao entendimento deste grande movimento.


Repórter: O que francamente me preocupa é que, desde a chegada à Inglaterra, há algum tempo, de um yogi indiano, que foi o pri­meiro “guru” de que se teve notícia, começaram a aparecer, repentinamente, muitos gurus. Algumas vezes, tenho o sentimento de que nem todos eles são tão genuínos como deveriam ser. Seria correto ad­vertir as pessoas que estão pensando em aceitar a vida espiritual que elas devem se precaver de modo a encontrar um guru genuíno para ensiná-las o conhecimento?


Srila Prabhupada: Sim. Evidentemente, buscar um guru é muito bom, mas, se você quiser um guru barato, ou se quiser ser enganado, então encontrará muitos gurus enganadores. Porém, se você for sincero, encontrará um guru sincero. Porque as pessoas querem tudo muito barato, elas são enganadas. Nós pedimos a nossos estudantes que se abstenham do sexo ilícito, do comer de carne, dos jogos de azar e da intoxicação. As pessoas acham que isso é muito difícil – incômodo. Mas se outro indivíduo diz: “Faça qualquer disparate que você queira e simplesmente use este mantra”, então as pessoas gostarão dele. O fato é que as pessoas querem ser enganadas, e, para tanto, os enganadores aparecem. Ninguém quer submeter-se a austeridades, devido a que surgem os enganadores e dizem: “Nada de austeridade. Faça o que quiser. Simplesmente me pague e eu lhe darei um mantra e você se tor­nará Deus dentro de seis meses”. É isso o que está acontecendo. Se você quiser ser enganado dessa maneira, os enganadores virão.


Repórter: O que o senhor diz da pessoa que seriamente quer encontrar a vida espiritual, mas que acaba aceitando o guru errado?


Srila Prabhupada: Se você quer apenas uma educação ordinária, você tem que devotar muitíssimo tempo, esforço e entendimento para isso. De modo semelhante, se você vai aceitar a vida espiritual, você tem que ser sério. Como é possível que, simplesmente através de alguns mantras maravilhosos, alguém possa se tornar Deus dentro de seis meses? Por que as pessoas querem algo assim? Isso significa que elas querem ser enganadas.


Repórter: Como pode uma pessoa saber que tem um guru genuíno?


Srila Prabhupada: Algum de meus estudantes pode responder a essa pergunta?



Discípulo: Eu me lembro que uma vez John Lennon perguntou ao senhor: “Como saberei quem é o guru genuíno?”. E o senhor res­pondeu: “Simplesmente encontre aquele que é mais dedicado a Krsna. Este é genuíno”.


Srila Prabhupada: Sim. O guru é representante de Deus, e ele fala sobre Deus, e nada mais. O guru genuíno é aquele que não tem nenhum interesse na vida materialista. Ele quer Deus, e somente Deus. Este é um dos testes de um guru genuíno: brahma-nistham. Ele está absorto na Verdade Absoluta. No Mundaka Upanisad, afirma-se: srotriyam brahma-nistham: “O guru genuíno é bem ver­sado nas escrituras e no conhecimento védico, e é completamente dependente de Brahman”. Ele deve saber o que é Brahman [espírito] e como situar-se em Brahman. Esses sinais são dados na literatura védica. Como eu disse antes, o verdadeiro guru é representante de Deus. Ele representa o Senhor Supremo, assim como o vice-rei re­presenta o rei. O guru verdadeiro não inventará nada. Tudo o que ele diz está de acordo com as escrituras e com os acaryas anteriores. Ele não lhe dará um mantra e dirá que você vai se tornar Deus den­tro de seis meses. Essa não é a missão do guru. A missão do guru é convencer todos a se tornarem devotos de Deus. Essa é a essência da missão do guru verdadeiro. De fato, ele não tem outra coisa a fazer. Quem quer que ele veja, ele diz: “Por favor, torne-se consciente de Deus”. Se, de alguma forma, ele fala em nome de Deus, tentando fazer com que todos se tornem devotos de Deus, ele é um guru genuíno.


Repórter: E o que o senhor me diz do sacerdote cristão?


Srila Prabhupada: Cristão, maometano, hindu – não importa. Se ele apenas fala em nome de Deus, ele é guru. O senhor Jesus Cristo, por exemplo, doutrinava o povo dizendo: “Tentem amar a Deus”. Qualquer um – não importa quem, não importa se é hindu, muçulmano ou cristão – é guru caso convença as pessoas a amarem a Deus. Esse é o teste. O guru nunca diz: “Eu sou Deus”, ou “eu vou transformá-lo em Deus”. O guru verdadeiro diz: “Eu sou servo de Deus e vou transformá-lo em servo de Deus também”. Não importa como o guru esteja vestido. Como Caitanya Mahaprabhu dizia: “Quem quer que possa transmitir conhecimento sobre Krsna é mestre espiritual”. O mestre espiritual genuíno simplesmente tenta fazer com que as pessoas se tornem devotos de Krsna, ou Deus. Ele não tem outro afazer.


Repórter: Mas os gurus ruins...


Srila Prabhupada: E o que é um guru ruim?


Repórter: O guru ruim quer apenas dinheiro e fama.


Srila Prabhupada: Bem, se ele é ruim, como pode se tornar guru? (risos) Como pode o ferro tornar-se ouro? Na verdade, o guru não pode ser ruim, pois se alguém é ruim, não pode ser guru. Você não pode dizer “guru ruim”. Isso é uma contradição. O que você pode fazer é simplesmente tentar entender o que é um guru genuíno. A definição de guru genuíno é que ele fala apenas de Deus. Isso é tudo. Se ele fala de algum disparate, ele não é guru. O guru não pode ser ruim. Não é possível haver um guru ruim, assim como não pode haver um guru vermelho ou um guru branco. Guru significa “guru genuíno”. Tudo o que precisamos sa­ber é que o guru genuíno fala apenas de Deus e tenta fazer com que todos se tornem devotos de Deus. Se ele faz isso, ele é genuíno.


Repórter: Se eu quisesse ser iniciado em sua sociedade, o que precisaria fazer?


Srila Prabhupada: Primeiramente, você teria de abandonar a vida sexual ilícita.


Repórter: Isso inclui todo tipo de vida sexual? O que é sexo ilícito?


Srila Prabhupada: Sexo ilícito é sexo feito fora do matrimônio. Os animais fazem sexo sem restrições, mas, na sociedade humana, há restrições. Em todos os países e em todas as religiões, há al­guma espécie de restrição da vida sexual. Você também teria de abandonar todos os intoxicantes, incluindo chá, cigarros, álcool, maconha – qualquer coisa que intoxique.


Repórter: Mais alguma coisa?


Srila Prabhupada: Você teria também de deixar de comer carne, ovos e peixes. E teria que deixar de jogar também. A menos que você deixasse essas quatro atividades pecaminosas, não poderia ser iniciado.


Repórter: Quantos seguidores o senhor tem em todo o mundo?


Srila Prabhupada: Para algo genuíno, não pode haver muitos seguidores. Para algo imundo, pode haver muitos seguidores. Mesmo assim, temos cerca de cinco mil discípulos iniciados.


Repórter: O movimento da consciência de Krsna está cres­cendo constantemente?


Srila Prabhupada: Sim, está crescendo, mas devagar. Isto porque impomos muitas restrições. As pessoas não gostam de restrições.


Repórter: Onde o senhor tem mais seguidores?


Srila Prabhupada: Nos Estados Unidos, na Europa, na América do Sul e na Austrália. E, evidentemente, na Índia há milhões de pessoas que praticam a consciência de Krsna.


Repórter: O senhor poderia me falar sobre a meta de seu movimento?


Srila Prabhupada: O objetivo deste movimento da consciência de Krsna é despertar a consciência original do homem. No momento atual, nossa consciência está sob designações. Há quem pense: “Eu sou inglês”, e há quem pense: “Eu sou americano”. Na verdade, não pertencemos a nenhuma dessas designações. Somos todos partes integrantes de Deus; essa é a nossa verdadeira identi­dade. Se todos chegassem a essa consciência, todos os problemas do mundo seriam solucionados. Nós, então, saberíamos que so­mos unos, na mesma qualidade de alma espiritual. A mesma quali­dade de alma espiritual está dentro de todos, embora possa estar revestida de formas diferentes. Essa é a explicação dada no Bhagavad-gita.

Na verdade, a consciência de Krsna é um processo purificatório (sarvopadhi-vinirmuktam). Seu propósito é libertar as pessoas de todas as designações (tat-paratvena nirmalam). Quando nossa consciência se purifica de todas as designações, as atividades que executamos com nossos sentidos purificados nos fazem perfeitos. Chegamos, por fim, à perfeição ideal da vida humana. A consciência de Krsna também é um processo muito simples. Não é necessário tornar-se um grande filósofo, cientista ou o que quer que seja. Precisamos apenas cantar o santo nome do Senhor, entendendo que Sua personalidade, Seu nome e Suas qualidades são todos absolutos.

A consciência de Krsna é uma grande ciência. Infelizmente, não há um departamento nas universidades para esta ciência. Por isso, convidamos todos os homens sérios que estejam interessados no bem-estar da sociedade humana a entenderem este grande movi­mento e, se possível, participarem dele e cooperarem conosco. Os problemas do mundo serão resolvidos. Este também é o veredicto do Bhagavad-gita, o mais importante e autorizado livro de conhecimento espiritual. Muitos de vocês já ouviram falar do Bhagavad-gita. Nosso movimento baseia-se nesse livro. Nosso movimento é aprovado por todos os grandes acaryas da Índia. Ramanujacarya, Madhvacarya, o Senhor Caitanya e muitos outros. Todos vocês são representantes de jornais; por isso, peço-lhes que tentem com­preender este movimento tanto quanto possível para o bem de toda a sociedade humana.


Repórter: O senhor acha que o seu movimento é o único cami­nho para se conhecer a Deus?


Srila Prabhupada: Sim.


Repórter: O que lhe dá essa certeza?


Srila Prabhupada: As autoridades e Deus, Krsna. Krsna diz:



sarva-dharman parityajya

mam ekam saranam vraja

aham tvam sarva-papebhyo

moksayisyami ma sucah



“Abandona todas as variedades de religião e simplesmente rende-te a Mim. Hei de te libertar de todas as reações pecaminosas. Não temas”. (Bhagavad-gita 18.66)


Repórter: “Render-se” significa que o indivíduo teria de deixar sua família?


Srila Prabhupada: Não.


Repórter: Mas suponha que eu estivesse para ser iniciado. Eu não teria de viver no templo?


Srila Prabhupada: Não necessariamente.


Repórter: Eu poderia permanecer em casa?


Srila Prabhupada: Sim, claro.


Repórter: E o trabalho? Eu teria de abandonar o emprego?


Srila Prabhupada: Não, você simplesmente teria de abando­nar seus maus hábitos e cantar o mantra Hare Krsna com estas contas. Isso é tudo.


Repórter: Eu precisaria dar algum apoio financeiro?


Srila Prabhupada: Não, isso é algo voluntário. Se você der, se­rá bom. Se você não der, não fará mal. Não dependemos da contri­buição financeira de ninguém. Dependemos de Krsna.


Repórter: Eu não precisaria dar absolutamente nenhuma contribuição financeira?


Srila Prabhupada: Não.


Repórter: É esse um dos principais pontos que distingue o guru genuíno do guru farsante?


Srila Prabhupada: Sim, o guru genuíno não é um homem de negócios. Ele é o representante de Deus. Tudo o que Deus diz, o guru repete. Ele não fala de outra maneira.


Repórter: Mas o senhor esperaria encontrar um guru verdadeiro, digamos, viajando de Rolls Royce e hospedando-se na suíte de um hotel de primeira classe?


Srila Prabhupada: As pessoas algumas vezes nos oferecem um quarto em um hotel de primeira classe, mas geralmente nós ficamos em nossos próprios templos. Temos mais de cem templos em todo o mundo, de modo que não precisamos ir a nenhum hotel.


Repórter: Eu não estava tentando fazer acusações. Estava ape­nas tentando ilustrar que julgo sua advertência válida. Há muitas pessoas interessadas em encontrar uma vida espiritual, e, ao mesmo tempo, há muitas pessoas interessadas em aproveitar-se do “negócio de guru”.


Srila Prabhupada: Você compartilha da opinião de que vida espiritual signi­fica aceitar voluntariamente a pobreza?


Repórter: Bem, eu não sei.


Srila Prabhupada: Um homem na miséria pode ser um materia­lista, e um homem abastado pode ser muito espiritual. Vida espiri­tual não depende nem de pobreza nem de riqueza. Vida espiritual é algo transcendental. Considere Arjuna, por exemplo. Arjuna era membro de uma família real, mas era um devoto puro de Deus. E, no Bhagavad-gita (4.2), Sri Krsna diz, evam parampara-praptam imam rajarsayo viduh: “Esta ciência suprema foi recebida através da corrente de sucessão discipular, e os reis santos entenderam-na dessa maneira”. No passado, todos os reis que eram santos enten­deram a ciência espiritual. Portanto, a vida espiritual não depende de nossa condição material. Qualquer que seja a condição material de uma pessoa – seja ela um rei ou um indigente –, ela pode entender a vida espiritual. As pessoas, em geral, não sabem o que é vida espiritual, em razão do que elas desnecessariamente nos cri­ticam. Se eu lhe perguntasse o que é vida espiritual, como você responderia?


Repórter: Bem, não estou bem certo.


Srila Prabhupada: Embora você não saiba o que é vida espiri­tual, você ainda diz: “É isto”, ou “é aquilo”. Mas, primeiramente, você deve saber o que é vida espiritual. A vida espiritual começa quando você entende que não é seu corpo. Este é o verda­deiro começo da vida espiritual. Percebendo a diferença entre o seu eu e o seu corpo, você compreende que é uma alma espiritual (aham brahmasmi).


Repórter: O senhor acha que este conhecimento deveria fazer parte da educação de todos?


Srila Prabhupada: Sim. Primeiramente, as pessoas devem aprender o que elas são. Elas são o corpo ou algo além? Este é o começo da educação. Atualmente, todos são educados a pensar que são o corpo. Porque alguém acidentalmente obtém um corpo ame­ricano, ele pensa: “Eu sou americano”. Isto é como pensar: “Eu sou uma camisa vermelha” só porque você está usando uma camisa vermelha. Você não é uma camisa vermelha; você é um ser humano. Analogamente, este corpo é como uma camisa ou um paletó sobre a pessoa verdadeira – a alma espiritual. Se nos reconhece­mos simplesmente por nossa “camisa” ou “paletó” corpóreos, então não temos nenhuma educação espiritual.


Repórter: O senhor acha que essa educação deve ser dada em escolas?


Srila Prabhupada: Sim. Em escolas, faculdades e universi­dades. Há um imenso corpo literário sobre este assunto – um imenso fundo de conhecimento. O que é realmente necessário é que os líde­res da sociedade se prontifiquem a compreender este movimento.


Repórter: Alguma vez o senhor recebeu alguém que anterior­mente tivesse se envolvido com um guru farsante?


Srila Prabhupada: Sim, muitos.


Repórter: A vida espiritual deles foi de alguma forma arruinada pelos gurus farsantes?


Srila Prabhupada: Não, eles estavam genuinamente buscando algo espiritual, e essa era sua qualificação. Deus está dentro do co­ração de todos, e, tão logo alguém O busque genuinamente, Ele ajuda essa pessoa a encontrar um guru genuíno.


Repórter: Alguma vez, os gurus verdadeiros como o senhor ten­taram dar fim aos gurus falsos – isto é, pressioná-los de modo a tirá-los, por assim dizer, do negócio?


Srila Prabhupada: Não, este não é o meu objetivo. Eu comecei este movimento simplesmente cantando Hare Krsna. Em Nova Iorque, eu cantava em um local chamado Tompkins Square Park, e logo as pessoas começaram a vir a mim. Dessa maneira, o movi­mento da consciência de Krsna gradualmente se desenvolveu. Muitos aceitaram e muitos não aceitaram. Aqueles que são afortunados aceitam.


Repórter: Por acaso o senhor não sente que as pessoas são des­confiadas por causa da experiência que tiveram com gurus farsan­tes? Se o senhor fosse a um dentista charlatão e ele lhe quebrasse o dente, talvez o senhor hesitasse ir a outro dentista.


Srila Prabhupada: Sim. Se você foi enganado, você naturalmente fica desconfiado. Contudo, você ter sido enga­nado uma vez não significa que será enganado sempre. Você deve encontrar al­guém que seja genuíno. Mas, para chegar à consciência de Krsna, você tem de ser ou muito afortunado ou bem versado nesta ciên­cia. A partir do Bhagavad-gita (7.3), entendemos que os buscadores genuínos são pouquíssimos, manusyanam sahasresu kascid yatati siddhaye: “Dentre muitos milhões de pessoas, talvez haja uma que es­teja interessada em vida espiritual”. Geralmente, as pessoas estão interessadas em comer, dormir, acasalar-se e defender-se. Como, então, poderíamos esperar encontrar muitos seguidores? Não é di­fícil observar que as pessoas perderam seu interesse espiritual. E quase todos aqueles que estão realmente interessados estão sendo enganados por ditos espiritualistas. Você não pode julgar um mo­vimento simplesmente pelo número de seus seguidores. Se um ho­mem é genuíno, então o movimento é bem-sucedido. Não é uma questão de quantidade, mas de qualidade.


Repórter: Pergunto-me se o senhor teria ideia de quantos têm sido enganados por gurus farsantes.


Srila Prabhupada: Praticamente todos. (risos) Contar está fora de cogitação. Todos.


Repórter: Isso quer dizer milhares de pessoas, não é?


Srila Prabhupada: Milhões. Milhões de pessoas têm sido enga­nadas, porque elas querem ser enganadas. Deus é onisciente. Ele pode entender seus desejos. Ele está dentro de seu coração, e, se você quer ser enganado, Deus lhe envia um enganador.


Repórter: É possível que todos atinjam o estágio de perfeição de que o senhor falou anteriormente?


Srila Prabhupada: Dentro de um segundo. Qualquer um pode alcançar a perfeição dentro de um segundo – contanto que assim o deseje. A dificuldade é que ninguém quer. No Bhagavad-gita (18.66), Krsna diz, sarva-dharman parityajya mam ekam saranam vraja: “Simplesmente rende-te a Mim”. Mas quem se renderá a Deus? Todos dizem: “Oh! Por que eu deveria me render a Deus? Prefiro ser independente”. Se você simplesmente se ren­desse, seria uma questão de segundos. Isso seria tudo. Porém, ninguém quer isso, essa é a dificuldade.


Repórter: Quando o senhor diz que muitas pessoas querem ser enganadas, o senhor quer dizer que muitas pessoas querem conti­nuar com seus prazeres mundanos e, ao mesmo tempo, querem alcançar a vida espiritual cantando um mantra ou segurando uma flor? É isso que o senhor quer dizer com querer ser enganado?


Srila Prabhupada: Sim, é como um paciente pensar: “Continua­rei com minha doença e, ao mesmo tempo, tornar-me-ei saudável”. Isso é contraditório. O primeiro requisito é que recebamos instrução acerca da vida espiritual. Vida espiritual não é algo que pode ser compreendido através de uma conversa de alguns minutos. Há muitos livros de filosofia e teologia, mas as pessoas não estão interessadas neles. Essa é a dificuldade. Por exemplo, o Srimad-Bhagavatam é uma obra muito extensa. Se você tentar ler esse livro, talvez sejam necessários dias inteiros para se entender uma única linha dele. O Bhagavatam descreve Deus, a Verdade Absoluta, mas as pessoas não estão interessadas. E se, por acaso, alguém fica um pouco interessado em vida espiri­tual, ele quer algo imediato e barato. Portanto, ele é enganado. Na verdade, a vida humana é feita para austeridade e penitência. É assim que funciona a civilização védica. Nos tempos védicos, eles treinavam os meninos como brahmacaris; não era permitida a vida sexual até os vinte e cinco anos de idade. Onde podemos encontrar este tipo de educação atualmente? O brahmacari é um estudante que vive uma vida de completo celibato e obedece às ordens de seu guru no gurukula. Agora, as escolas e faculdades estão ensinando sexo desde o começo, e meninos e meninas de doze ou treze anos estão fazendo sexo. Como poderão eles ter vida espiritual? Vida espiritual significa aceitar voluntariamente algumas austeridades de modo a conhecer verdadeiramente Deus. É por isso que insistimos para que nossos estudantes iniciados não façam sexo, não comam carne, não joguem, nem se intoxiquem. Sem essas restrições, qualquer “meditação de yoga” ou dita disciplina espiritual não pode ser genuína – é mera relação comercial entre os enganadores e os enganados.


Repórter: Muito obrigado.


Srila Prabhupada: Hare Krsna.


Revisão de Karunika devi dasi e Bhagavan dasa

Excerto da obra Ciência da Autorrealização, de autoria de A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada, cortesia BBT Brasil (www.bbt.org.br). Todos os direitos reservados.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Crime: Por que Existe e o que Fazer?

Excerto da obra Ciência da Autorrealização, de autoria de A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada, cortesia BBT Brasil (www.bbt.org.br). Todos os direitos reservados.

Crime: Por que Existe e o que Fazer?

Todos os anos, o mundo gasta cada vez mais recursos em prevenção contra o crime e no controle do mesmo. Contudo, apesar de tais esforços, as taxas de criminalidade continuam crescendo. Nas escolas públicas, crimes associados a tráfico de drogas e brigas entre gangues chegaram a níveis incontroláveis. Em diálogo realizado em julho de 1975 com o então relações públicas do departamento policial de Chicago, o tenente David Mozee, Srila Prabhupada propõe uma solução espantosamente simples e, ao mesmo tempo, prática para o problema aparentemente insuperável da criminalidade.


Tenente Mozee: Tomei conhecimento de que o senhor tem algumas ideias que poderiam nos ajudar em nossos esforços para impedir a criminalidade. Estou muito interessado em ouvi-las.


Srila Prabhupada: A diferença entre um homem piedoso e um criminoso é que um é puro de coração e o outro é impuro. Esta impureza é como uma doença sob a forma de luxúria e cobiça incontroláveis no coração do criminoso. Atualmente, as pessoas em geral estão nesta condição mórbida, e, por conseguinte, o crime está se propagando imensamente. Quando as pessoas se purificarem dessas impurezas, o crime desaparecerá. O processo mais simples de purificação é reunir-se em congregação e cantar os santos nomes de Deus. Isto se chama sankirtana, e é a base de nosso movimento da consciência de Krsna. Então, se o senhor quer parar o crime, o senhor deve reunir o maior número de pessoas possível para um sankirtana em massa. Este canto congregacional do santo nome de Deus dissipará todas as coisas impuras no coração de todos. Então, não haverá mais crime.


Tenente Mozee: O senhor acha que o crime aqui nos Estados Unidos é de alguma forma diferente do crime em seu próprio país, a Índia?


Srila Prabhupada: Qual é a sua definição de crime?


Tenente Mozee: Qualquer usurpação dos direitos de uma pessoa por parte de outra pessoa.


Srila Prabhupada: Sim. Nossa definição é a mesma. Nos Upanisads, afirma-se, isavasyam idam sarvam: “Tudo pertence a Deus”. Portanto, todos têm o direito de utilizar tudo o que lhes seja adjudicado por Deus, mas não se deve usurpar a propriedade alheia. Se alguém o faz, torna-se um criminoso. Na verdade, o primeiro crime é que vocês, americanos, estão pensando que esta terra da América é de vocês. Embora, há duzentos anos, ela não fosse de vocês, vocês vieram de outras partes do mundo e declararam que esta terra era de vocês. Na realidade, esta terra é de Deus, e, destarte, pertence a todos, visto que todos são filhos de Deus. Porém, a maioria das pessoas não tem conceito de Deus. Praticamente falando, todos são ateus. Portanto, eles devem ser educados no amor a Deus. Na América, o seu governo tem um lema: “Em Deus nós confiamos”. Não é assim?


Tenente Mozee: Sim.


Srila Prabhupada: Contudo, onde está a educação sobre Deus? Confiar é ótimo, mas a simples confiança não vai perdurar a menos que seja baseada em conhecimento científico de Deus. Pode ser que alguém saiba que tem um pai, mas, a menos que ele saiba quem é seu pai, seu conhecimento é imperfeito. E essa educação na ciência de Deus está faltando.


Tenente Mozee: O senhor acha que ela está faltando apenas aqui nos Estados Unidos?


Srila Prabhupada: Não. Em toda parte. A era em que vivemos chama-se Kali-yuga, a era do esquecimento de Deus. É uma era de desentendimentos e desavenças, e os corações das pessoas estão cheios de coisas impuras. Deus, no entanto, é tão poderoso que, se cantamos Seu santo nome, purificamo-nos, assim como meus discípulos purificaram-se de seus maus hábitos. Nosso movimento baseia-se neste princípio de cantar o santo nome de Deus. Damos a oportunidade a todos, sem nenhuma distinção. Todos podem vir a nosso templo, cantar o mantra Hare Krsna, comer um pouco de prasada para revigorar-se, e purificar-se gradualmente. Assim, se as autoridades governamentais nos derem algumas facilidades, poderemos, então, promover sankirtana em massa. Então, sem dúvida alguma, toda a sociedade mudará.


Tenente Mozee: Se o entendo corretamente, o senhor está dizendo que devemos enfatizar um retorno aos princípios religiosos.


Srila Prabhupada: Certamente. Sem princípios religiosos, qual é a diferença entre um cachorro e um homem? O homem pode compreender religião, mas o cachorro não. Esta é a diferença. Então, se a sociedade humana permanece ao nível de cães e gatos, como o senhor pode esperar uma sociedade pacífica? Se o senhor pegar uma dúzia de cachorros e colocá-los juntos em um cômodo, será possível mantê-los pacíficos? Semelhantemente, se a sociedade humana está cheia de homens cuja mentalidade está ao nível da mentalidade dos cães, como o senhor pode esperar paz?


Tenente Mozee: Se algumas de minhas perguntas parecem desrespeitosas, isto é apenas porque não compreendo perfeitamente suas crenças religiosas. Não tenho a menor intenção de desrespeitá-lo.


Srila Prabhupada: Não, não se trata de minhas crenças religiosas. Estou simplesmente chamando a atenção para a distinção entre a vida humana e a vida animal. Os animais não podem em hipótese alguma aprender algo sobre Deus, mas os seres humanos podem-no. Entretanto, se os seres humanos não têm oportunidade de aprender sobre Deus, eles permanecem ao nível de cães e gatos. Não pode haver paz em uma sociedade de cães e gatos. Portanto, é dever das autoridades governamentais cuidar para que as pessoas aprendam como tornar-se conscientes de Deus. Caso contrário, haverá problemas, porque, sem consciência de Deus, não há diferença entre um cão e um homem: o cão come, nós também; o cão dorme, nós dormimos; o cão faz sexo, nós fazemos sexo; o cão tenta defender-se, e nós também tentamos nos defender. Esses são os fatores comuns. A única diferença é que o cão não pode ser instruído sobre sua relação com Deus, ao passo que o homem pode.


Tenente Mozee: A paz não seria um precursor de um retorno à religião? Não precisaríamos primeiramente ter paz?


Srila Prabhupada: Não, não, essa é a dificuldade. No momento atual, ninguém conhece realmente o significado de religião. Religião significa obedecer às leis de Deus, assim como boa cidadania significa obedecer às leis do governo. Porque ninguém tem compreensão alguma de Deus, ninguém conhece as leis de Deus ou o significado de religião. Esta é a situação atual das pessoas na sociedade atual. Elas estão desconhecendo a religião, considerando-a um tipo de fé. Fé pode ser fé cega. Fé não é a verdadeira descrição de religião. Religião significa as leis dadas por Deus, e qualquer um que siga essas leis é religioso, quer seja cristão, hindu ou muçulmano.


Tenente Mozee: Com todo o devido respeito, não é verdade que na Índia, onde os costumes religiosos são seguidos há séculos e séculos, estamos presenciando, não um retorno, mas um afastamento da vida espiritual?


Srila Prabhupada: Sim, mas isto é devido apenas à má liderança. Por outro lado, a maioria do povo indiano é plenamente consciente de Deus, e eles tentam seguir as leis de Deus. Aqui no Ocidente, mesmo eminentes professores universitários não creem em Deus ou em vida após a morte. Na Índia, entretanto, mesmo o homem mais pobre crê em Deus e em uma próxima vida. Ele sabe que, se cometer pecado, sofrerá, e, se agir piedosamente, desfrutará. Mesmo atualmente, se há um desacordo entre dois moradores de uma vila, eles vão ao templo para resolvê-lo, porque todos sabem que os adversários hesitarão falar mentiras perante as Deidades. Assim, sob muitos aspectos, a Índia ainda é oitenta por cento religiosa. Esse é o privilégio especial de nascer na Índia, e a responsabilidade especial também. Sri Caitanya Mahaprabhu diz:



bharata-bhumite haila manusya-janma yara

janma sarthaka kari’ kara para-upakara

(Caitanya-caritamrta, Adi 9.41)



Qualquer um que tenha nascido na Índia deve tornar sua vida perfeita tornando-se consciente de Krsna. Ele, em seguida, deve distribuir a consciência de Krsna ao mundo inteiro.


Tenente Mozee: Senhor, há uma parábola cristã que diz ser mais fácil um camelo passar pelo orifício de uma agulha do que um rico chegar perante o trono de Deus. O senhor acha que a riqueza dos Estados Unidos e de outros países ocidentais é um obstáculo para a fé espiritual?


Srila Prabhupada: Sim. Riqueza em excesso é um obstáculo. Krsna afirma no Bhagavad-gita (2.44):



bhogaisvarya-prasaktanam

tayapahrta-cetasam

vyavasayatmika buddhih

samadhau na vidhiyate



Se alguém é materialmente muito opulento, ele se esquece de Deus. Portanto, riqueza material em excesso é uma desqualificação para se compreender Deus. Embora não haja leis absolutas de que somente o pobre pode compreender Deus; de um modo geral, se alguém é extraordinariamente rico, sua única ambição é adquirir dinheiro, e é difícil para ele entender ensinamentos espirituais.


Tenente Mozee: Na América, aqueles que pertencem à fé cristã também creem nessas coisas. Não vejo grandes diferenças entre as crenças espirituais de um grupo religioso e as de outro.


Srila Prabhupada: Sim, a essência de toda religião é a mesma. Nossa proposta é que qualquer que seja o sistema religioso seguido, deve-se tentar compreender Deus e amá-lO. Se o senhor é cristão, não dizemos: “Isso não é bom; o senhor tem que ser como nós”. Nossa proposta é: quem quer que o senhor seja – cristão, muçulmano ou hindu –, simplesmente tente compreender Deus e amá-lO.


Tenente Mozee: Se eu pudesse voltar ao objetivo original de minha vinda, eu perguntaria que conselho o senhor poderia dar para nos ajudar a reduzir a criminalidade. Reconheço que o primeiro e mais importante método seria um retorno a Deus, como o senhor diz – e quanto a isso não há dúvida –, mas há algo que pudéssemos fazer imediatamente para diminuir esta crescente mentalidade criminosa?


Srila Prabhupada: Sim. Como já delineei no começo de nossa conversa, o senhor deve dar-nos a oportunidade de cantar o santo nome de Deus e distribuir prasada. Haverá, então, uma tremenda mudança na população. Eu vim sozinho da Índia e agora tenho muitos seguidores. O que eu fiz? Eu lhes pedia que se sentassem e cantassem o mantra Hare Krsna, e, depois disso, distribuía um pouco de prasada para eles. Se isso for feito em massa, toda a sociedade se tornará bem comportada. Isto é fato.


Tenente Mozee: O senhor gostaria de começar o programa em uma área de afluência ou em uma área de pobreza?


Srila Prabhupada: Não fazemos tais distinções. Qualquer local facilmente acessível a todos os tipos de homens seria bastante adequado para fazermos sankirtana. Não há distinção de que apenas os pobres necessitam do benefício, e os ricos não. Todos precisam ser purificados. O senhor acha que a criminalidade existe apenas na seção mais pobre da sociedade?


Tenente Mozee: Não. O que eu quis perguntar foi se haveria uma influência mais benéfica – um fortalecimento maior para a comunidade – se o programa fosse feito em uma área mais pobre em vez de em área abastada.


Srila Prabhupada: Nosso tratamento é para a pessoa espiritualmente doente. Quando uma pessoa é afligida por uma doença, não há distinções entre o pobre e o rico. Ambos são admitidos no mesmo hospital. Assim como o hospital deve ser um local aonde tanto pobres quanto ricos possam chegar facilmente, a localização da realização do sankirtana deve ser facilmente acessível a todos. Uma vez que todos estão materialmente infectados, todos devem ter o direito de ser socorridos.

A dificuldade é que o rico pensa ser perfeitamente saudável, apesar de ser o mais doente de todos. Porém, sendo policial, o senhor sabe muito bem que há criminalidade tanto entre ricos quanto entre pobres. Destarte, nosso processo de cantar é para todos, porque esse processo purifica o coração, sem olhar a opulência ou a pobreza do homem. A única maneira de mudar permanentemente o hábito criminoso é mudar o coração do criminoso. Como o senhor sabe muito bem, muitos ladrões são detidos inúmeras vezes e postos na prisão. Embora eles saibam que se roubarem irão para a cadeia, ainda assim são impelidos a roubar por causa de seus corações impuros. Portanto, sem purificar o coração do criminoso, vocês não podem acabar com o crime simplesmente através de coação legal mais estrita. O ladrão e o assassino já conhecem a lei, mas continuam cometendo crimes violentos devido a seus corações impuros. Assim, nosso processo consiste em purificar o coração. Então, todos os problemas deste mundo material serão resolvidos.


Tenente Mozee: Essa é uma tarefa muito difícil, senhor.


Srila Prabhupada: Não é difícil. Simplesmente convide a todos: “Venham, cantem Hare Krsna, dancem e aceitem deliciosa prasada”. Qual é a dificuldade? Estamos fazendo isso em nossos centros, e as pessoas estão vindo. Entretanto, porque temos pouco dinheiro, só podemos fazer sankirtana em pequena escala. Convidamos todos, e gradualmente as pessoas estão vindo a nossos centros e se tornando devotos. Se o governo nos desse uma facilidade maior, entretanto, poderíamos nos expandir ilimitadamente. E o problema é grande, pois, se não o fosse, por que haveria artigos na imprensa nacional perguntando o que fazer? É fato que nenhum estado civil quer esta criminalidade, mas os líderes não sabem como acabar com ela. Se eles nos ouvissem, no entanto, poderíamos dar-lhes a resposta. Por que o crime? Porque as pessoas são ateístas. E o que fazer? Cantar Hare Krsna e comer prasada. Se o senhor quiser, pode adotar este processo de sankirtana. Caso contrário, nós continuaremos promovendo-o em pequena escala. Somos assim como um médico pobre com um pouco de prática que poderia abrir um grande hospital se lhe dessem a oportunidade. O governo é o executivo. Se eles aceitarem nosso conselho e adotarem o processo de sankirtana, então o problema do crime será resolvido.


Tenente Mozee: Há muitas organizações cristãs nos Estados Unidos que dão a sagrada comunhão. Por que isso não funciona? Por que isso não está purificando o coração?


Srila Prabhupada: Falando francamente, eu acho difícil encontrar uma única pessoa que seja realmente cristã. Os assim chamados cristãos não obedecem à ordem da Bíblia. Um dos dez mandamentos na Bíblia é: “Não matarás”, mas onde está o cristão que não mata ao comer a carne da vaca? O processo de cantar o santo nome do Senhor e distribuir prasada será eficiente se for executado por pessoas que estejam realmente praticando a religião. Meus discípulos são treinados para seguir estritamente os princípios religiosos; por conseguinte, quando cantam o santo nome de Deus, é diferente de quando outros cantam. A posição deles não é apenas uma posição de rótulo. Eles compreenderam o poder purificador do santo nome através da prática.


Tenente Mozee: Senhor, acaso a dificuldade não seria que, embora um pequeno círculo de sacerdotes e devotos siga os princípios religiosos, aqueles que são marginais se desviam e causam problemas? Por exemplo, suponhamos que o movimento Hare Krsna cresça em proporções gigantescas, como aconteceu com o cristianismo. O senhor não teria problemas com os indivíduos marginalizados do movimento, os quais professassem ser seguidores embora não o fossem verdadeiramente?


Srila Prabhupada: Essa possibilidade sempre existirá, mas o que estou dizendo é que, se o senhor não for um cristão verdadeiro, então sua pregação não será eficiente. Ao passo que, por estarmos seguindo estritamente os princípios religiosos, nossa pregação é eficaz na propagação da consciência de Deus e na mitigação do problema do crime.


Tenente Mozee: Senhor, deixe-me agradecer-lhe por ter gasto seu tempo comigo. Apresentarei esta gravação a meus superiores. Espero que isso seja eficaz, assim como o senhor é eficaz.


Srila Prabhupada: Muito obrigado.


Revisão de Karunika devi dasi e Bhagavan dasa

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Sri Chaitanya Mahaprabhu ki jay!

Sri Chaitanya Mahaprabhu ki jay!

Gaura Purnima (Lua Dourada): Em fevereiro comemoramos o mais auspicioso festival do ano: Gaura Purnima (Lua Dourada), marcando o aparecimento de Sri Chaitanya Mahaprabhu, o avatara Dourado, no dia 28 de fevereiro! É também o “Ano Novo Hare”.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Inauguração de Nova Jagannatha Puri em Florianópolis



A festa de inauguração contou com a presença de vários devotos entre eles Nanda Kumara Prabhu, representante da BBT, e Prabhu Jagannatha Dhama, além da participação de vários devotos da Comunidade de Floripa e Vale do Itajaí que ofereceram serviços de ordem devocional para o desnvolvimento das atividades do Centro Cultural.



LOCAL: SERVIDÃO RECANTO DA HARMONIA, 390, Capvari de Cima - Ingleses
(Travessa da Rodovia João Gualberto Soares, Rua do Mercado CITTI)


Tel p/ contato: (48) 9972 1144, Eliane ou (48) 9618 8051, Marcos.


A programação dos festivais será aos Domingos às 17:00 hs.

terça-feira, 10 de março de 2009

Dia 10 – Gaura Purnima (Lua Dourada)


Aparecimento de Sri Krishna Chaitanya Mahaprabhu!

Aproveite o dia para escutar (em MP3) um resumo da vida do Avatara Dourado, Chaitanya Mahaprabhu, elaborada por Sri Srimad A. C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada, o fundador-acharya da ISKCON, clicando nos links:

Parte 1, Parte 2, Parte 3, Parte 4, Parte 5

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Aparecimento do Avatara Sri Adwaita Acharya

(2 de fevereiro 2009)

ADWAITA ACHARYA, um associado íntimo de Sri Caitanya Mahaprabhu, é considerado uma encarnação de Sadashiva e Maha-Vishnu. Foi devido às suas súplicas que Sri Caitanya Mahaprabhu desceu a este mundo. Vendo a condição degradada das pessoas em Kali-yuga, a Era das Desavanças, Sri Adwaita Acharya adorou o Senhor Krishna nas margens do Ganges, molhando com sua água a planta tulasi, clamando e implorando ao Senhor que viesse livrar as almas do sofrimento. Por causa da pura devoção e compaixão de Sri Adwaita Acharya, o Senhor Krishna desceu como Sri Caitanya Mahaprabhu.

Verso 10 —Sri Advaita Acharya é uma parte plenária desse purusha, de modo que não é diferente dEle. De fato, Sri Advaita Acharya não é separado mas é outra forma desse purusha.

Verso 11 — Ele [Advaita Acharya] auxilia nos passatempos do purusha, com cuja energia material e por cuja vontade Ele cria inumeráveis universos.

Verso 12 — Sri Advaita Acharya é inteiramente auspicioso para o mundo, pois é o reservatório de atributos plenamente auspiciosos. Suas características, ati­vidades e nome sempre são auspiciosos.

SIGNIFICADO—Sri Advaita Prabhu, que é uma encarnação de Maha-Vishnu, e um acharya, ou mestre. Todas as Suas atividades e todas as demais atividades de Vishnu são auspiciosas. Qualquer pessoa que possa visualizar a plena auspiciosi­dade nos passatempos do Senhor Vishnu também torna-se simultaneamente auspiciosa. Portanto, como o Senhor Vishnu é o manancial da auspiciosidade, qualquer pessoa que se sinta atraída pelo serviço devocional ao Senhor Vishnu pode prestar o maior serviço à sociedade humana. Pessoas rejeitadas do mundo material que se recusam a compreender o serviço devocional puro como a função eterna das entidades vivas, e como a verdadeira liberação do ser vivo de sua vida condicional, são privadas de todo o serviço devocional por causa de seu pobre fundo de conhecimento.

Os ensinamentos de Advaita Prabhu não tratam de atividades fruitivas ou liberação impessoal. No entanto, confundidas pelo encanto da energia material, pessoas que não puderam entender que Advaita Prabhu não é diferente de Vishnu desejaram segui-lO com suas concepções impessoais. A tentativa de Advaita Prabhu de puni-las também é auspiciosa. O Senhor Vishnu e Suas ativi­dades podem outorgar toda a boa fortuna, direta e indiretamente. Em outras palavras, ser favorecido pelo Senhor Vishnu e ser punido pelo Senhor Vishnu são a mesmíssima coisa, pois todas as atividades de Vishnu são absolutas. Segundo alguns, Mangala era outro nome de Advaita Prabhu. Como a encarnação causal, ou a encarnação do Senhor Vishnu para uma ocasião em particular, Ele é o agente fornecedor ou ingrediente na natureza material. Entretanto, não se deve jamais considerá-lO material. Todas as Suas atividades são espirituais. Qual­quer pessoa que ouça sobre Ele e O glorifique torna-se ela mesma gloriosa, pois tais atividades libertam-nos de todas as espécies de infortúnio. Não se deve aplicar nenhuma contaminação material ou impersonalismo na forma de Vishnu. Todos devem procurar compreender a identidade verdadeira do Senhor Vishnu, pois, com tal conhecimento, pode-se alcançar a fase máxima de perfeição.

Sri Caitanya-caritamrta, Adi-lila, Capitulo 6

Com tradução e comentários por Sua Divina Graça

A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada

Recomenda-se jejum até o meio-dia.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

O dia do aparecimento de Sri Nityananda Prabhu

O dia do aparecimento de Sri Nityananda Prabhu

Trecho de um discurso de Srila Gurudeva

Durante a estação das chuvas na Índia, no mês de julho, em Guru-purnima (Vyasa-purnima), devotos de todas as sampradayas – Ramanuja, Madhvacarya, Visnusvami, Nimbiditya e até mesmo de Sankaracarya – adoram Srila Vyasadeva. Nos passatempos de Sri Caitanya Mahaprabhu, quando este dia estava se aproximando, Mahaprabhu perguntou a Sri Nityananda Prabhu: “Onde realizaremos Vyasa-puja?”

Nityananda Prabhu pegando na mão de Srivasa Thakura respondeu: “Na casa deste brahmana”. Mahaprabhu concordou e disse: “Vamos à casa de Srivasa Pandita fazer os preparativos. *[1]

Srivasa Pandita disse: “Tenho toda a parafernália para adoração. Não tenho o livro no qual todos os procedimentos para o Vyasa-puja estão escritos (Vyasa-puja Paddhati), mas irei consegui-lo emprestado de alguém.

Mahaprabhu então declarou: “Amanhã será o Vyasa-puja; todos devem vir.”

No dia seguinte todos os associados de Mahaprabhu vieram. Tudo estava pronto, mas Mahaprabhu estava propositalmente atrasado para entrar na área de adoração.

Srivasa Pandita disse a Sri Nityananda Prabhu: “Mahaprabhu está um pouco atrasado, mas devemos começar. Por favor, dê a guirlanda a Srila Vyasadeva e vamos começar o Vyasa-puja.” Nityananda Prabhu começou a fazer alguns sons: “Hmm Hmm” e disse: “Estou fazendo, estou fazendo.”

Srivasa Thakura reclamou a Mahaprabhu, dizendo: “Seu Sripada não está realizando o Vyasa-puja.”

Mahaprabhu então se aproximou de Nityananda Prabhuand e disse-Lhe: “Oh, Nityananda prabhu, Você deve fazer isto agora” *[2]

Então, vendo Mahaprabhu diante dele, Nityananda Prabhu pegou a guirlanda e toda a parafernália de adoração e ofeceu todos os itens a Ele – para mostrar a todos que Ele, Sri Caitanya Mahaprabhu, é o Guru supremo. Mahaprabhu é o Guru de Vyasa e de todos os Vyasas (todos os Vyasas que apareceram na Criação até hoje). *[3] Assim, Nityananda Prabhu declarou que Mahaprabhu é o próprio Krsna.

Enquanto Sri Nityananda Prabhu estava viajando por muitos dos locais de peregrinação da Índia, Ele foi até Vrndavana. Lá Ele estava procurando e chamando: “Onde está Krsna? Onde está Krsna?” e abraçando as vacas e vaqueirinhos. Ele costumava correr por toda parte, chorando como uma pessoa louca e exclamando: “Ó, onde está o Meu Krsna? Onde está Krsna?” Aqueles que ouviam e viram esta cena, pensavam: “Quem é está pessoa? Ela é completamente louca.”

Certo dia uma voz do céu chamou: “Nityananda Prabhu, Seu irmão não está aqui agora. Ele está em Navadvipa. Ele nasceu lá e agora está em Sua juventude.”

Nityananda Prabhu partiu de lá e foi para a fronteira de Navadvipa-dhama, junto ao Ganges, e lá Ele se escondeu na casa de Sri Nandana Acarya. Ele pensou: “Se Mahaprabhu – Krsna – estiver aqui, Ele vai procurar por Mim. Somente assim saberei que Ele realmente é Nanda-nandana Krsna”.

Naquela época Sri Caitanya Mahaprabhu estava em Srivasa-angana e disse aos devotos: “Oh, um Vaisnava muito importante chegou à Navadvipa. Por favor, tragam-no até aqui”.

Srivasa Pandita e os outros devotos procuraram por toda parte, mas não puderam achá-lo. Então Mahaprabhu disse: “Venham comigo. Vamos encontrá-lo.

Mahaprabhu e Seus associados chegaram de surpresa na casa de Nandana Acarya e, quando entraram, Ele viu Nityananda Prabhu. Nityananda Prabhu e Mahaprabhu se olharam. Este era o primeiro encontro deles e, por algum tempo, eles simplesmente olharam um para o outro. *[4] Eles se abraçaram e então ambos desmairam. Mahaprabhu mais tarde ordenou que Srivasa Pandit recitasse um verso, e este recitou o seguinte verso:

barhapidam nata-vara-vapuh karnayoh karnikaram

bibhrad vasah kanaka-kapisam vaijayantim ca malam

randhran venor adhara-sudhayapurayan gopa-vrndair

vrndaranyam sva-pada-ramanam pravisad gita-kirtih

[“Usando um ornamento feito de pena de pavão sobre Sua cabeça, flores karnikara azuis sobre Suas orelhas, uma veste amarela tão brilhante quanto o ouro e uma guirlanda vaijayanti , o Senhor Krsna exibiu Sua forma transcendental como o melhor dos dançarinos e entrou na floresta de Vrndavana, embelezando-a com as marcas de Suas pegadas. Ele preencheu os orifícios de Sua flauta com o néctar de Seus lábios e os meninos vaqueirinhos cantaram Suas glórias.” (Srimad-Bhagavatam, 10.21.5)]

Os dois Senhores voltaram à consciência externa e começaram a dançar.

Algumas vezes Nityananda Prabhu ficava no Srivasa-angana com Srivasa Pandita. Outras vezes Ele costumava ficar pelado. Nesses momentos, Ele sentava-se no colo de Malini devi, a esposa de Srivasa Pandita, como um bebê e Malini devi amamentava-o.

Uma vez, Sri Nityananda Prabhu tirou seu dhoti e colocou-o em sua cabeça e deste modo foi à casa de Saci-mata chamando: “Mãe! Mãe! Estou com muita fome!”. Então, totalmente absorto no humor de Sri Baladeva Prabhu, Ele procurou por Krsna, exclamando: “Onde está Kanai?”. Mahaprabhu então deu a Nityananda Prabhu Seu chadar, pessoalmente enrolou-o em torno dele e Saci-mata deu-lhe prasadam.

Malini devi tinha uma tigela de metal que estava cheia de ghee *[5] que era destinada às oferenda às Deidades. Uma vez, um grande corvo veio e levou esta tigela embora, e Malini devi começou a chorar. Ao ver isto, Nityananda Prabhu chamou o corvo: “Venha! Venha! Traga este pote de volta!” O corvo na mesma hora veio trazendo a tigela de volta.

Sri Nityananda Prabhu estava presente quando Sri Caitanya Mahaprabhu aceitou sannyasa. Depois que Mahaprabhu aceitou sannyasa, Ele queria ir à Vrndavana, mas Nityananda Prabhu conduziu-O através de um truque ao Advaita-bhavana (a casa de Sri Advaita Acarya) em Santipura. Todos os residentes de Nadia, incluindo Saci-mata, foram até lá e se encontraram com Ele.

Nityananda Prabhu quebrou a danda de Mahaprabhu na Orissa, num local que mais tarde ficou conhecido como Danda-bhanga-nadi. *[6]

Algumas vezes ele costumava discutir de forma brincalhona com Sri Advaita Acarya

Nityananda Prabhu ki jaya!

[Devoto:] Sri Visvarupa entrou em Nityananda Prabhu quando ele deixou o mundo?

[Srila Narayana Gosvami Maharaja:] No Navadvipa Parikrama está escrito que quando Visvarupa disapareceu, Seu poder manifestou-se em Sri Nityananda Prabhu.

Durante os passatempos manifestos de Mahaprabhu, Nityananda Prabhu casou-se com duas irmãs, Vasudha e Jahnava, que eram não outras senão Revati e Varuni, as duas esposas de Sri Baladeva Prabhu nos passatempos de Sri Krsna. Quando Nityananda Prabhu casou-se, muitas pessoas ficaram confusas e não queriam oferecer-lhe honras com antes.

Advaita Acarya teve seis filhos. Três de seus filhos - Balarama, Svarupa e Jagadisa, costumavam respeitar Mahaprabhu e Advaita Acarya, mas estavam confusos acerca de Nityananda Prabhu e não queriam honrá-lo. Advaita Acarya, portanto, rejeitou estes filhos e aceitou os outros três: Acyutananda, Sri Krsna Misra e Gopala Misra, que eram devotos puros.

Mahaprabhu sempre respeitou Nityananda Prabhu, e ordenou-lhe que pregasse na Bengala. Sobre isto Vrndavana dasa Thakura disse: “Se qualquer pessoa, após ouvir as glórias de Nityananda Prabhu, o criticar, irei chutar a cabeça de tal pessoa. *[7]

Gaura Premanande!

*[ 1] O Senhor Visvambhara falou para o Senhor Nityananda Prabhu: "Ouça, Meu querido Nityananda Gosvami, onde devemos realizar Sua cerimônia de Vyasa-puja? Amanhã é lua cheia e neste dia Srila Vyasadeva é adorado. Assim, Você pode escolher a casa de qualquer pessoa e fazer os arranjos."

Nityananda Prabhu pôde compreender a mente do Senhor Visvambhara, então Ele pegou Srivasa Pandita pela mão e sorrindo disse: "Ouça Visvambhara, terei meu Vyasa-puja na casa deste brahmana."

O Senhor Visvambhara então falou a Srivasa Pandita: "Agora você tem grande responsabilidade sobre seus ombros." Srivasa respondeu: "Não, meu Senhor, isto não é preocupação, pois, pela Sua graça, tudo que é necessário já existe na casa." A parafernália necessária como roupas, grãos, cordão brahminico, ghee e outros.- tudo já está disponível aqui. Somente tenho que pegar emprestado o livro que explica os procedimentos para se realizar a cerimônia de Vyasa-puja ceremony. Então amanhã, pela minha grande fortuna, testemunharei o Vyasa-puja." O Senhor Visvambhara ficou muito satisfeito com a resposta de Srivasa e todos os devotos estavam jubilantes.

O Senhor Visvambhara disse: "Ouça Nityananda Gosani, vamos todos fazer os preparativos para irmos à casa de Srivasa Pandita” (Sri Caitanya-bhagavat Madhya-lila capítulo 5)]

[*2 ] Pouco tempo depois, todos os devotos se reuniram e começaram a cantar o Santo Nome do Senhor Krsna. Srivasa Pandita era quem estava conduzindo o Vyasa-puja e, ao receber instruções de Sri Caitanya Mahaprabhu, ele realizou tudo cuidadosamente. Um kirtana doce e contínuo converteu a casa de Srivasa Pandita no mundo espiritual de Vaikuntha. Sendo bem versado em todas as escrituras, Srivasa Pandita realizou a cerimônia de acordo com as injunções estritas da escritura. Ele deu uma guirlanda de flores fragrantes a Nityananda e disse: "Oh Nityananda Prabhu, por favor, pegue esta guirlanda e após recitar os mantras apropriados, ofereça Suas preces e reverências a Srila Vyasadeva. As escrituras asseguram que o devoto deve pessoalmente oferecer uma guirlanda a Srila Vyasadeva em sua adoração e que, se Srila Vyasadeva estiver satisfeito então todos os desejos relacionados à vida espiritual daquela pessoa serão realizados".

Quanto mais Srivasa Pandita falava, mais Nityananda repetia: "Sim, sim, sim." Aparentemente, Ele não prestava atenção às palavras de Srivasa e parecia não saber que mantras deveria recitar. Ele segurou o guirlanda e murmurou algo muito suavemente junto com sua respiração, o que ninguém pode ouvir, e Ele simplesmente olhou ao redor.

Srivasa Pandita relatou o problema ao Senhor Caitanya: "Seu Sripada não quer adorar Srila Vyasadeva." O Senhor imediatamente foi até a presença de Nityananda e disse: "Nityananda, por favor, ouça-Me. Ofereça a guirlanda a Srila Vyasadeva e adore-o". Nityananda viu que Caitanya estava lá e imediatamente colocou a guirlanda na cabeça do Senhor. A guirlanda de flores fragrantes sobre o cabelo encaracolado do Senhor era uma bela visão. (Caitanya-bhagavat, Madhya-kanda, Capítulo 5)]

*[ 3] Vyasa não é simplesmente uma pessoa, mas também um posto. Nos manvantara anteriores, Vyasa era Parasara Muni; neste atual ele é o próprio Senhor Narayana; no próximo Asvatthama se tornará Vyasa. (Visnu Purana)

*[4] Os devotos imaculados como Srivasa Pandita e Haridasa Thakura têm realização completa das compreensões esotérica, ainda assim, por uma razão misteriosa, não puderam encontrar Nityananda Prabhu. Então o Senhor Caitanya, sorrindo disse: "Venham comigo e vamos encontrá-lo." Todos os devotos ficam jubilantes e cantaram: "Jaya Sri Krsna!" enquanto acompanhavam o Senhor.

O Senhor levou todos os Vaisnavas diretamente à casa de Nandana Acarya. No interior da casa, eles viram uma grande personalidade refulgente como milhões de sóis. Sem a visão espiritual apropriada, não é possível ver o Senhor Nityananda. Um sorriso doce brincava em Seus lábios; Ele estava alegremente absorto na meditação em Sri Caitanya Mahaprabhu. Ao ver aquela personalidade altaneira e robusta, o Senhor Visvambhara, juntamente com todos os devotos, ofereceu suas reverências prostradas. Eles se ergueram respeitosamente e olharam para Sri Nityananda com grande reverência sem falar nenhuma palavra. O Senhor Visvambhara estava à frente de todos os Vaisnavas, diretamente na frente do Senhor Nityananda, que imediatamente reconheceu o Senhor Visvambhara como o Senhor amado do Seu coração.

O Senhor Visvambhara estava tão belo, ainda mais belo do que o próprio Cupido. Uma guirlanda de flores fragrantes pendia de Seu pescoço. Sua face estava decorada com pasta de sândalo e Ele usava belas roupas. O que é o brilho do ouro comparado à aura do Senhor? A lua cheia perdeu interesse em sua própria beleza e anseia ver a face reluzente do Senhor. (Caitanya-bhagavat, Madhya-kanda, Capítulo 3)]

*[5] Malini devi alimentou-O como a um filho querido. Esta mãe casta conhecia as glórias de Nityananda. Assim, ela O serviu da mesma forma que uma mãe serve seu filho.

Um dia um corvo veio e levou uma tigela de metal voando embora para a floresta. Tão logo o corvo sumiu da vista, mãe Malini ficou preocupada. O corvo deixou a tigela em seu ninho e retornou. Malini devi viu que a boca do corvo estava vazia. O comportamento de Srivasa Pandita era muito estrito. Além do mais, a tigela que havia sido roubada pelo corvo era usada para guarda o ghee para Krsna. Ela ficou com medo de que seu marido ficasse muito nervoso quando ouvisse o que tinha acontecido. Sem saber o que fazer, ela começou a chorar.

Então Nityananda foia té lá e viu Malini devi chorando por alguma razão. Nityananda sorrindo disse: "Por que você está chorando? Diga-me o que lhe aflige e seguramente irei resolver." Malini devi respondeu: "Por favor, ouça, Sripada Gosai. Um corvo levou a tigela que é usada para guardar o ghee de Krsna." Nityananda respondeu: "Mãe, não se preocupe. Trarei a tigela de volta". Voltando-se para o corvo, Ele disse: "Ó corvo, vá agora e traga de volta a tigela". O Senhor Nityananda está dentro do coração de todos. Quem pode desobedecer a Sua ordem? Tendo recebido a ordem de Nityananda, o corvo instantaneamente voou para longe. Malini devi olhava tomada pela lamentação. Logo o corvo voou para fora da visão e, pouco tempo depois, retornou com a tigela em sua boca. O corvo colocou a tigela em frente à Malini devi e partiu. Malini devi conhecia bem as glórias do Senhor Nityananda. Ao ver este incidente maravilhoso, ela desmaiou em amor extático. Após recuperar-se, ela levantou-se com as mãos postas e começou a oferecer preces.

"Ele trouxe de volta o filho morto de Seu guru. Ele mantém todo o universo. Ele pode trazer qualquer um de volta da casa de Yamaraja. O feito de trazer de volta a tigela roubada pelo corvo não é de forma alguma maravilhoso. Sobre Sua cabeça inumeráveis universos repousam e Ele os mantêm para Seus próprios passatempos doces. Seus Santos Nomes destroem toda a ignorância. Para Ele não é algo maravilhoso ter trazido de volta a tigela roubada por um corvo.”

"Em uma encarnação anterior, Você constantemente protegia Sita durante o exílio como Laksmana. Você nunca viu nenhuma parte do corpo de Sita além dos pés de lótus dela. Suas flechas formidáveis matarama a família de Ravana. Para Você trazer de volta a tigela roubada pelo corvo não é algo maravilhoso. Ao ver Seu poder imenso, Kalindi caiu aos Seus pés de lótus e ofereceu preces. Você possui a força para manter os catorze mundos. Para Você trazer de volta a tigela roubada pelo corvo não é algo maravilhoso. Ainda assim, Suas atividades não são comuns. O que quer que faça é uma verdade. Isto é confirmado por todos os quatro Vedas."

Ouvindo as orações de Malini, o Senhor Nityananda começou a sorrir. No seu humor infantil Ele disse: "Ó mãe, quero comer algo." Sempre que Malini devi via Nityananda, leite fluia de seus seios. Nityananda no humor de uma criança bebia este leite. As atividades de Nityananda Prabhu são inconcebíveis. O que mais posso descrever? Todo o mundo as conhecem. Suas atividades são misteriosas e extraordinárias. Aquele que as conhece de verdade, aceita-as todas como fatos. (Nityananda Caritamrta Madhya-khanda Capítulo 6)]

*[6] “Quando o Senhor Caitanya Mahaprabhu foi ao templo do Senhor Siva conhecido como Kapotesvara, Nityananda Prabhu, que mantinha o bastão de sannyasa de Mahaprabhu em sua custódia, quebrou o bastão em três partes e o jogou no rio Bharginadi. Mais tarde este rio ficou conhecido como Danda-bhanga-nadi."

Significado: O mistério da sannyasa-danda (bastão) de Sri Caitanya Mahaprabhu foi explicado por Srila Bhaktisiddhanta Sarasvati Thakura. Sri Caitanya Mahaprabhu aceitou a ordem de sannyasa de um sanyasi Mayavadi. Os sannyasis Mayavadi geralemente carregam um bastão, ou danda. Aproveitando-se da ausência de Sri Caitanya Mahaprabhu, Srila Nityananda Prabhu quebrou o bastão em três partes e jogou-o no rio… (Caitanya-caritamrta Madhya-lila, 5. versos 142-143 , significado por Srila Prabhupada Bhaktivedanta Swami Maharaja)]

*[7] Suas atividades são extraordinárias e difíceis de serem compreendidas. Aqueles que O conhecem de verdade podem facilmente aceitar todos os Seus passatempos, pois Nityananda estpa sempre imerso em êxtase. Ele caminha livremente pela Nadia, assim como o Sol atravessando abóbada celeste.

Um yogi místico ou um erudito ou ainda qualquer um pode pensar e dizer algo a respeito de Nityananda, as pessoas podem comentar que Nityananda não é um associado íntimo de Caitanya, não me dou o trabalho de ouvir tais comentários, somente oro para que Seus pés de lótus permaneçam gravados nas profundezas do meu coração.

Ao invés de ouvirem sobre Sua glória, muitos ateístas criticam Nityananda. Eu os chuto na cabeça, ansiando pela misericórdia do Senhor recaia sobre eles. Nityananda está tão perdido em Seus passatempos transcendentais na casa de Srivasa Pandita que o Senhor Gauranga tem que tomar conta dEle. (Sri Caitanya-bhagavata, Madhya-kanda capítulo 11)

Pessoas diferentes conhecem Nityananda de diferentes formas. Alguns dizem que Ele é exatamente como Balarama. Outros dizem que Ele é o devoto mais elevado e querido por Sri Caitanya. Ainda, alguns dizem que Ele é supremamente potente, uma expansão do Senhor onipotente. Muitas pessoas honestamente admitem que não conseguem penetrar em Seu caráter de forma alguma. Desse modo, as pessoas livremente manifestam suas opiniões acerca do Senhor. Tudo o que as pessoas disserem sobre Sri Caitanya e Sri Nityananda, possam os pés de lótus desses dois Senhores para sempre ficarem impressos em meu coração. Oro aos pés de todos os devotos inovcando esta bênção: nascimento após nascimento, que eu permaneça o servo do meu mestre eterno, Sri Nityananda. Este é meu único desejo.

Após ouvir tudo isto sobre a misericórdia ilimitada de Sri Nityananda, se alguém for tão degradado e pecaminoso ao ponto de ainda criticar o Senhor, então firmemente eu o chutarei na cabeça. Sri Caitanya é o Senhor do mau Senhor e Mestre, Sri Nityananda. Este fato me dá uma grande esperança e força. Será que serei abençoado e verei meu Sri Nityananda Prabhu e Sri Krsna Caitanya Mahaprabhu sentados juntos sobre um trono cercados por todos os Seus servos e associados? Todas as glórias a Sri Caitanya. Ó Gauranga, bondosamente abençooe-me para que eu possa me refugiar em Sri Nityananda. (Caitanya-bhagavata Antya-kanda capítulo 6)]