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sábado, 25 de julho de 2015

Como um Rio que Corre para o Mar









Entrevista com Jahnavi Harrison

Jahnavi Harrison é conhecida pelos seus kirtanas hipnotizantes, mágicos e praticamente “de outro mundo”, os quais levam você a um reino de bem-aventurança divina. As pessoas costumam dizer que ela “canta como um anjo”. Nesta entrevista, fala sobre seu novo álbum, o show que fará em breve com Ananda Monet e um pouco sobre as coisas que a inspiram na vida.

Conte-nos mais sobre você.

Jahnavi Harrison: Nasci e fui criada em uma comunidade de praticantes de bhakti-yoga, o Bhaktivedanta Manor, uma fazenda que George Harrison doou para o Movimento Hare Krishna. Ali, cresci e fui à escola, onde, além de estudar as matérias regulares, também aprendíamos sobre a cultura e a prática de bhakti. Foi uma época muito feliz em minha vida, que certamente criou uma base firme para onde estou hoje. Sempre me senti atraída pelas artes, e minha infância foi repleta de música, dança e expressões criativas, mas também aprendíamos os ensinamentos essenciais de bhakti-yoga, que afirmam que tudo o que fazemos atinge seu valor infinito quando é oferecido a Deus. Sem dúvidas, tentar entender e aplicar esses ensinamentos têm me ensinado a enfrentar os altos e baixos na tentativa de viver uma vida plena.

Em que momento decidiu se tornar artista profissional?

Jahnavi Harrison: Esse momento nunca aconteceu! De fato, até onde consigo me lembrar, nunca me considerei uma artista ou musicista “de verdade”. Embora eu tenha me formado em música e dança na minha juventude, nunca considerei como uma profissão, mas, sim, como uma coisa que amo fazer. Quando devo preencher um formulário, sempre escrevo que minha profissão é “artista”, porém me identifico mais intensamente como uma serva de Deus. Meus talentos fazem parte do meu lado artístico, mas, basicamente, estou tentando usar aquilo que o Senhor me deu para servi-lO e para conectar outras pessoas a Ele. Tenho isso como muito libertador. Tenho percebido que, no mundo da arte e da música contemporâneos, os artistas costumam querer se expressar a partir de si mesmos, o que pode ir desde algo profundo e o significativo, até algo mais mundano. Considero que a arte devocional oferece uma oportunidade única para expressar a criatividade sem o ego.

Quais realizações espirituais a ajudam a superar as dificuldades?

Jahnavi Harrison: Não sei se possuo alguma realização especial. Acredito que o processo de criar é um processo de humildade, seja criando arte, cozinhando ou criando os filhos. O processo me obriga a reconhecer minha insignificância e como meus esforços são pequenos. Força-me a entender que nunca poderia tocar uma nota, ou ter uma ideia, se não recebesse a graça divina. Devo orar para poder ter habilidades, para poder servir. Com o passar do tempo, aprendi que, quando me esforço para manter esse estado de espírito, podem acontecer todo tipo de coisas, grandes ou pequenas.

 
Yamuna Devi com Srila Prabhupada.

A esse respeito, uma das maiores inspirações é Yamuna Devi (1942-2011). Ela amava Deus com devoção completa, era uma artista perita, chef premiada, musicista e escritora, amiga de todos e guia para muitos. Ela conhecia a arte do serviço devocional e outorgava essa compreensão aos outros com muita graça e alegria. Tive a fortuna de passar muito tempo com ela durante minha adolescência. A profundidade das suas habilidades e de sua humildade inabalável me marcaram profundamente, e se tornaram uma meta a seguir na minha vida.

Você e Ananda Monet estão lançando juntas seus trabalhos individuais. O que a inspirou a trabalhar com Ananda?

Jahnavi Harrison: Ananda é uma irmã e amiga muito querida, e nunca pensamos em trabalhar juntas – simplesmente aconteceu. Costumamos cantar juntas em eventos do projeto Kirtan London, ou quando oferecemos o projeto “Mantra Music Therapy” (terapia com música de mantras) em instituições privadas de reabilitação mental.



É um verdadeiro privilégio ajudá-la a lançar este álbum tão especial, e estou muito orgulhosa dela. Sem dúvidas, ela é uma cantora com muito talento – sempre me emociona escutá-la – mas, acima de tudo, ela tem um grande coração, e isso é o que ela transmite com sua música e tudo o que faz.

O que mais poderia contar-nos sobre seu álbum musical?

Jahnavi Harrison: Nenhuma de nós duas tinha realmente um grande desejo de lançar um álbum. De alguma forma, a oportunidade surgiu para ambas em diferentes situações. Começamos nossos projetos em momentos distintos, e trabalhamos neles em períodos diferentes. Acho que nunca imaginamos que iríamos finalizar ao mesmo tempo.

Meu álbum chama-se “Like a River to the Sea” (Como um Rio que Corre para o Mar), e apresenta diversas músicas da tradição de bhakti-yoga em composições musicais originais. Cada música traz um mantra sagrado, como a voz de uma personalidade santa do passado. Escolhi criar melodias novas para cada uma das músicas, então, para aqueles familiarizados com as letras, espero que isso os ajude a ouvirem os mesmos mantras de uma maneira renovada, e, para aqueles que o escutam pela primeira vez, espero que as músicas os atraiam e desperte seu interesse.

O álbum contém diversos instrumentos. Além de contar com a presença de amigos e familiares que tocam instrumentos tradicionais de kirtana, como a mridanga e o harmônio, também trabalhei com o pianista e ganhador de um Grammy John McDowell; com Ravi, que toca o instrumento da África oriental chamado kora; e com Asha, que toca violoncelo no estilo ocidental e oriental. Foi um prazer especial!

Escute aqui uma das músicas do álbum.

Qual a mensagem do título do álbum?

O título do álbum se refere a uma famosa oração da rainha Kunti. Ela ora a Krishna: “Assim como o rio corre sempre para o mar sem obstáculos, que minha atração se dirija constantemente a Ti, sem que seja desviada”.

Quais foram suas maiores inspirações?

Jahnavi Harrison: Minhas maiores inspirações foram as orações dos grandes santos que compuseram essas músicas; meu avô espiritual, A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada, que disse que essas músicas são como uma tempestade (o coração sente o trovão, embora não entenda a linguagem); e meus pais e mestres. Enquanto concebia e gravava este álbum, também tive a oportunidade de viajar a alguns lugares sagrados de peregrinação, e gravei os sons desses lugares para adicionar um toque do ambiente que inspirou a música.

O que gostaria de dizer às pessoas que vão para seu show?

Jahnavi Harrison: Gostaria que as pessoas viessem ao show com a mente e o coração abertos. Acredito que será uma experiência poderosa – não apenas pela presença dos maravilhosos artistas, musicistas e dançarinos –, mas porque será uma oferenda de amor e devoção, e isso tem a capacidade de deixar uma impressão profunda em nós.

Entrevista conduzida por Yadavi Devi Dasi.


Do Blog Volta ao Supremo. Leia outros artigos em www.voltaaosupremo.com.

sábado, 13 de junho de 2015

Grande lançamento e pré-venda - Srila Prabhupada-lilamrta



PRÉ VENDA - SRILA PRABHUPADA LILAMRTA

A biografia do grande mestre da autorrealização na era moderna, sua divina graça A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada.

por Satsvarupa Das Goswami

Coleção composta por 6 volumes




 


Descrição
A história de uma personalidade notável e de um feito igualmente notável. A personalidade é A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada: filósofo, estudioso, líder religioso, santo. O feito é o revolucionário transplante de uma cultura atemporal e espiritual da Índia antiga para o mundo ocidental do século XX. Uma história surpreendente, tocante e instrutiva que irá prender sua atenção a cada página.

O autor, Satsvarupa Dasa Goswami (Stephen Guarino), nascido em 1939, é um discípulo sênior de A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada, o acharya-fundador da ISKCON (International Society for Krishna Consciousness), com quem conviveu entre os anos de 1965 e 1977. Satsvarupa Dasa Goswami se estabeleceu como um prolífico escritor vaishnava e poeta. Publicou mais de cem livros e escreveu poemas, memórias, novelas e estudos baseados nas escrituras vaishnavas. Nos últimos anos, criou centenas de pinturas, desenhos e esculturas que captam e expressam a essência da consciência de Krishna.


Coleção composta de 6 volumes: 

Volume 1 - Toda uma Vida de Preparação ( 308 páginas ) 

Volume 2 - Plantando a Semente ( 290 páginas )  

Volume 3 - Somente ele poderia lidera-los ( 240 páginas )  

Volume 4 - Em todas as cidades e aldeias ( 300 páginas )  

Volume 5 - Que haja um templo ( 284 páginas )  

Volume 6 - Unindo dois mundos ( 468 páginas )


Especificações técnincas:

Livros em brochura.

Dimensões aproximadas de cada exemplar:  21x15 cm (A x L)

Reserve sua coleção: https://goo.gl/gpu07g!





segunda-feira, 1 de junho de 2015

RETOMANDO

Considero agora neste primeiro de junho de 2015 a retomada deste sempre lido e respeitoso blog




Haribol
Eduardo Cruz
Editor

Uma História do Despertar do Amor




 


Dhyana-kunda Devi Dasi
Um príncipe que desejava o maior dos reinos o obtém, mas encontra a satisfação em outro lugar.

Uma das histórias mais comoventes no Srimad-Bhagavatam  estápresente no quarto canto. Trata-se da história do pequeno príncipe Dhruva e de sua grande aventura, a qual contém muitas lições sobre o amor.

Dhruva tinha cinco anos quando saiu de casa para a floresta em busca de Deus. Algumas pessoas que ele conheceu no caminho tentaram convencê-lo a voltar.
“É certamente glorioso procurar Deus”, disseram, “mas você não é muito jovem para um compromisso tão sério? E Deus não está em todos os lugares de alguma forma? Por que você tem que ir para a selva, onde há tantos animais ferozes?”.
Dhruva não tinha certeza do porquê, mas ele tinha ouvido falar que grandes sábios que desejavam encontrar o Senhor Supremo saíam de casa e rumavam para a floresta. Aparentemente, isso era o que tinha de ser feito. Se Deus realmente estava lá, Dhruva certamente O encontraria.

Com o que Deus Se parece? O pequeno príncipe também não sabia ao certo. De uma coisa ele sabia: Deus era a única pessoa que poderia realizar o seu desejo secreto. Em relação a isso, Dhruva tinha a palavra de sua mãe. Ela orava a Deus todos os dias, em razão do que ela certamente sabia o que ela estava falando.
A história de Dhruva tem um final feliz. Ele conhece Narada Muni, um mestre espiritual, que lhe diz como chegar a Deus através da devoção. Completamente sozinho na selva, o menino se submete a disciplinas espirituais com determinação grande o bastante para fazer jus ao significado de seu nome: “Perseverante”.
Tigres e chacais pouparam Dhruva, mas ele não apenas sobreviveu, senão que ele se encontrou com Vishnu, uma expansão de Krishna, frente a frente e, por fim, tornou-se famoso como um dos maiores devotos do seu tempo. Seu desejo secreto também se realiza. Eis o final glorioso da história. O início, porém, é triste.
As Palavras Cruéis da Madrasta

O pai de Dhruva, o rei Uttanapada, tinha duas esposas, Suniti e Suruchi. Suniti era a mãe de Dhruva, e Suruchi era a mãe de Uttama. Os meninos brincavam juntos, e ambos tinham a afeição de seu pai, diferente de suas mães. O rei negligenciava Suniti, nem mesmo permitindo que ela chegasse perto dele, enquanto Suruchi era a sua favorita, talvez por causa de sua beleza – ela era deslumbrante. Apesar disso, ela era ciumenta.
Certa vez, o rei estava sentado no trono com Uttama em seu colo, acariciando-o afetuosamente. Dhruva também queria ficar no colo de seu pai, mas Suruchi não gostou da ideia.
“Não, você não pode sentar-se no colo do rei”, disse ela. “Você pode ser o filho do rei, mas isso não é o suficiente. Você teria que ser meu filho também. E isso, meu caro rapaz, você só poderia conseguir adorando o Senhor Supremo. Se Ele estiver satisfeito com você, Ele pode conceder-lhe a preciosa dádiva de proporcionar o seu próximo nascimento a partir do meu ventre”.


Ofendido e enfurecido, Dhruva Maharaja correu para sua mãe.
Ela disse: “Meu caro rapaz”, mas suas palavras golpearam Dhruva como uma estaca. Ela desejou que ele morresse! Seu corpo enrijeceu. Ofegante, ele virou-se para seu pai, mas o rei olhou para o lado, para Suruchi, sua bela rainha. Dhruva virou-se e correu para sua mãe.
O que Suniti poderia fazer além de chorar com seu filho pequeno?

“Sua madrasta está certa”, disse Suniti. “Seu pai não me considera mais sua esposa. Ela está certa, também, em dizer-lhe para adorar o Senhor Supremo. Se você quiser sentar-se no mesmo trono como seu meio-irmão, Uttama, você não deve ter inveja dele, mas apenas retornar ao Senhor Supremo. Adorando-O, você pode conseguir coisas nunca sonhadas por aqueles que depositam sua fé em semideuses. Meu filho, apenas adore o Senhor. Eu não consigo encontrar outro alguém que possa aliviar sua angústia”.

Dhruva tomou uma decisão. Ele iria para a floresta encontrar Deus, e ele disse: “Meu querido Deus, eu sou o filho do rei, mas não serei o herdeiro do trono. Por favor, faça-me um rei maior do que o meu pai. Eu quero ter um reino como ninguém jamais teve. Se Você está satisfeito com a minha adoração, por favor, conceda-me este desejo”.

Visão na Floresta

Dhruva sabia que encontrar Deus seria difícil, mas ele estava determinado. Sozinho na floresta, ele pratica yoga para a concentração, canta um mantra que recebeu de Narada e medita no Senhor, que habita o coração.


Dhruva praticando yoga na floresta.
Seis meses se passaram. Um dia, quando Dhruva entrou em meditação e fixou sua visão interna no Senhor Vishnu, a imagem que ele já tinha se acostumado a contemplar desapareceu de repente. Dhruva perdeu a concentração. Ele abriu os olhos e viu o Senhor Vishnu em pé diante dele. O Senhor parecia exatamente como a forma que Narada lhe descrevera. Dhruva muitas vezes contemplara em seu coração aquela forma majestosa, de quatro braços, adornada com todas as insígnias da Suprema Personalidade de Deus, toda a Sua forma brilhante como um relâmpago.

Desta vez, porém, os olhos de Dhruva estavam abertos, e, diante dele, não estava uma imagem mental, mas uma pessoa vivente, sorrindo para Dhruva. Oprimido, o menino caiu aos pés do Senhor Vishnu. Mesmo enquanto estava deitado no chão, ele não conseguia tirar os olhos do Senhor.


O Senhor Vishnu, junto de Sua ave transportadora, Gadura, encontra-Se com Dhruva Maharaja na floresta.
Satisfeito com Dhruva, o Senhor perguntou se ele tinha qualquer intenção a se cumprir. Tudo estava indo como Dhruva esperava. Seu objetivo impossível agora estava ao seu alcance.

Conflito Clássico
Antes de ouvir a resposta de Dhruva, voltemos à cena onde Dhruva fora proibido de brincar no colo do rei Uttama. Tanto a história como os conflitos são clássicos. De um lado: o pai, a madrasta e “o bom filho”. Do outro: o filho indesejado e excluído do amor e da felicidade de que os outros três gozam.

Porém, o rei Uttanapada, Suruchi e Uttama realmente compartilham de amor e felicidade? Não. Nenhum deles é realmente feliz, e todos os três têm razões para se sentirem inseguros.
Suruchi se sentirá segura da devoção do rei apenas enquanto tenha o charme juvenil de seu corpo. Ela teme sofrer o destino de Suniti e perder as afeições do rei.

O rei, embora ame seus dois filhos, não pode correr o risco de perder o favor de Suruchi. Ele pode governar todos no reino, mas, nas mãos de Suruchi, ele é um animal de estimação. Ela negou seu favor a Dhruva e não se preocupou em esmagar o coração do menino. O rei pode estar pensando: “Suruchi, minha preferida, você seria capaz de fazer isso comigo?”.

Finalmente, Uttama é pequeno demais para entender o que está acontecendo. Tudo o que ele sabe é que ele estava brincando no colo de seu pai e seu irmão Dhruva foi punido por tentar fazer o mesmo. Fico feliz que ele tenha sido poupado, e sentindo-se especial, ele, no entanto, não vê culpa de Dhruva. “Se nenhum de nós fez algo errado e ele foi punido desta vez, serei o punido da próxima vez, papai?”.

Nenhuma dessas três pessoas está recebendo amor real, que é altruísta, incondicional e de fluxo livre. Felizes são aqueles que sabem amar cedo na vida e aprender a alegria de compartilhá-lo. A maioria das pessoas oferece e recebe coisas como sexo, riqueza e poder em nome de amor. E, junto desse tipo de “amor”, vem luxúria, ira, ganância, inveja, ilusão, e loucura. “Os seis inimigos do eu” – é assim que os professores védicos os chamam. E, no fundo, há medo. Por exemplo, Suruchi tem medo por causa de apegos materiais. Quando Dhruva subiu no colo de seu pai, ela o viu não como uma criança inocente, mas como rival de seu filho tentando tomar o trono.
As pessoas que realmente amam não temem perder algo material. Além disso, não se sentem desejosas; são autossatisfeitas. Elas podem ser casadas ou sozinhas, mendigos ou reis, mas elas são livres. Sexo, riqueza, poder ou qualquer coisa material não exercem nenhuma influência sobre elas.
E sobre a busca de Dhruva por amor? Movido pela raiva, ele arrisca sua vida para ganhar um reino maior do que o de seu pai. Todo um planeta para se governar certamente seria uma compensação justa por não poder se sentar no colo do pai.

Como na família de Dhruva, nós, na busca de amor, nos machucamos e nos empurramos para longe um do outro. Tristes são as formas de amor no mundo da matéria. Todavia, o mais triste de tudo é perder ainda a esperança de que o amor verdadeiro exista. Nossos sonhos não realizados de um pai perfeito, uma mãe perfeita, um amante perfeito e um amigo perfeito nos fazem pensar que Deus, o amante perfeito e supremo, talvez não exista.
Dhruva teve sorte. A força de sua frustração, canalizada para a prática espiritual, e o conselho de sua mãe e de seu mestre espiritual, Narada Muni, levaram-no para além do mundo do medo. Ao encontrar o Senhor Vishnu face a face, Dhruva encontrou não apenas o amor que ele tinha perdido, mas a sua própria capacidade de dar amor da mesma forma. Amar é a sua natureza, como é para todos nós. Ele a tinha esquecido, assim como acontece com todos os seres vivos quando se afastam de Deus e do Seu amor. Apesar disso, a natureza original de Dhruva nunca tinha mudado, e a natureza amorosa é a mesma em todos os seres vivos – ela procura expressão, ela motiva uma pessoa a procurar, ela não permite sentir-se satisfeito com o ordinário, o temporário, o limitado. Dhruva ficou satisfeito apenas quando encontrou o ilimitado.
A Resposta de Dhruva

Ao longo de todos os riscos que ele aceitou e de todas as austeridades por ele realizadas, Dhruva acreditava que o desejo do seu coração era ganhar o reino. O que ele poderia conhecer com maior certeza do que seu próprio coração? No entanto, Dhruva descobriu que ele estava errado. Quando ele finalmente se levantou do chão, ele se dirigiu ao Senhor Vishnu com uma oração. Suas palavras, que vieram do coração, foram diferentes do que aquelas que ele havia preparado. Ainda hoje, os devotos do Senhor Vishnu repetem a oração espontânea de Dhruva, que retrata tanto a sua surpresa consigo mesmo quanto a sua alegria esmagadora.




Dhruva, depois de abençoado pelo búzio de Vishnu, ofereceu-lhe orações.
“Ó meu Senhor”, disse Dhruva, “eu queria ser um grande rei e estava realizando severas austeridades para que Você me concedesse esse desejo. Agora, eu obtive Você, o que é muito difícil até mesmo para os semideuses, santos e reis. Eu estava procurando por um pedaço de vidro quebrado, mas, em vez disso, encontrei uma joia absolutamente valiosa. Estou completamente satisfeito, e nada tenho a Lhe pedir”.
O Amor se Expande
O amor a Deus não é apenas a Deus – ele não diminui o carinho que sentimos pelos outros, senão que, ao contrário, aprofunda o carinho, porque somos capazes de amar os outros não por coisas externas, como o seu corpo, e não por algo que eles nos dão, e não somente caso cumpram sua parte do contrato. Um devoto puro, alguém que desenvolveu sua relação amorosa com Deus, pode ver além do condicionamento material dos outros, além de suas características agradáveis ​​e desagradáveis, além até mesmo de sua crueldade, e se relaciona com todos como pessoas espirituais únicas, partes de Deus. Os devotos puros desenvolvem o tipo de intuição que admiramos em histórias de grandes santos e mestres espirituais. Se um devoto puro se sente seguro em sua própria relação de amor com Deus, ele não almeja apreciação dos outros nem se sente prejudicado pela agressividade que possam voltar contra ele. Essas qualidades colocam-no em uma posição única para ajudar os outros.
Suniti, a mãe de Dhruva, foi capaz de aceitar seu destino sem odiá-lo e foi capaz de convencer seu filho a aceitar a instrução valiosa nas palavras de ódio de Suruchi, sem se tornar uma escrava do ódio. Isso significa que um devoto do Senhor deve permitir que outros o pisoteiem? Não. Nem a agressão nem a submissão mansa, por si só, indica avanço espiritual. O que é determinante é a motivação do sujeito.
Um devoto não procura satisfação egoísta, seja por oprimir os outros, seja por ser oprimido para “aproveitar” o status de vítima. Independente de o devoto escolher ser agressivo ou escolher ser manso, sua motivação é servir a Deus e ajudar os outros a encontrar o seu caminho de volta ao Supremo. Ele pode ajudar os outros através de instrução, por exemplo, ou mesmo com a simples presença. Aqueles que tiveram o privilégio de entrar em contato com alguém dotado de verdadeiro amor de Deus, em qualquer fé religiosa, sabem que a presença dessa pessoa eleva os outros ao mesmo plano.
Isso foi o que aconteceu com os membros da família de Dhruva. Ao ouvir a notícia do retorno de Dhruva, o rei Uttanapada correu para fora do palácio para se encontrar com ele. Junto do rei, vieram Uttama, Suniti e Suruchi. Sem reserva, Dhruva foi honrado por ambas as mães, que se prostraram ao chão.

Suruchi o pegou.

“Meu caro rapaz, vida longa a você!”.

Com lágrimas de alegria nos olhos, ela o abençoou.

Suniti, então, abraçou Dhruva carinhosamente, assim como seu irmão Uttama.

Um Rei Honrado

Esta história tem um fim tradicional: Dhruva cresceu em uma família feliz e zelosa e, por fim, tornou-se um grande monarca, amado por todos em seu reino; um reino maior do que qualquer outro que já existira.

O narrador do Srimad-Bhagavatam conclui: “Dhruva não era o mesmo de antes, senão que estava completamente santificado devido a ter sido tocado pelos pés de lótus da Suprema Personalidade de Deus. Àquele que tem qualidades transcendentais devido à amizade com o Senhor Supremo, todas as entidades vivas oferecem honras tão naturalmente como um rio flui a partir do alto de uma montanha”.

Uma pessoa com amor e devoção a Deus pode fazer a diferença para muitos. Aqueles de nós que têm pouca esperança de encontrar Deus, que sentem como se não pudessem reunir coragem suficiente para se aproximar dEle, meditar nEle ou servi-lO, podem encontrar forças ao saber que outros ganharão com o nosso amor a Deus: nossos parentes, amigos e inimigos, bem como transeuntes na rua – todos os seres vivos do mundo.

Dhyana-kunda Devi Dasi, natural da Polônia, juntou-se ao Movimento Hare Krishna em 1987. Ela e seu marido, Ekanatha Dasa, vivem na fazenda da ISKCON em Almviks Gard, na Suécia. Lá, serve como revisora e tradutora da BBT da Europa Setentrional. Também faz parte de um grupo de representantes internacionais do GBC da ISKCON.
Tradução de Anosha Prema. Todo o conteúdo das publicações de Volta ao Supremo é de inteira responsabilidade de seus respectivos autores, tanto o conteúdo textual como de imagens.
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Vedanta 108: Sabedoria Espiritual em Alta Resolução






Entrevista com Jagadisha Dasa



E se o antigo conhecimento védico se fizesse acessível a todos os falantes de língua portuguesa através de vídeos curtos, bem produzidos e falados com profundidade apesar de voltados para leigos no assunto? Isso e muito mais é aquilo a que se propõe o canal Vedanta 108.



Volta ao Supremo: Como surgiu o Vedanta 108? Qual sua proposta? Quem compõe a equipe por trás de toda a produção?



Jagadisha Dasa: Fui chamado para ministrar um curso regular da Bhagavad-gita na casa do Atmananda Prabhu para algumas pessoas. Chegando lá, me deparei com câmera, iluminação etc. A ideia era gravar para vender DVDs, mas logo vimos que a melhor coisa a ser feita seria criar um canal no Youtube com tudo gratuito. Pensamos rápido e chegamos ao nome Vedanta 108.

A proposta é levar o conhecimento espiritual para todas as pessoas sem distinção ou restrição temporal ou geográfica. São muitos os propósitos do canal. Queremos promover um estudo sistemático de todos os textos; prover associação virtual e física; honrar nossos mestres, em especial Srila Prabhupada, que empregou todo esforço possível para que pudéssemos ter acesso a esse conhecimento; eternizar os devotos; criar um grande acervo para benefício das pessoas e apoiar os projetos da ISKCON no Brasil e no mundo. Esse é nosso sonho. Elaboramos um conteúdo sobre nossa missão: www.vedanta108.com.br/nossa-missao.



Atualmente, somos três. Atmamanda Prabhu, que mencionei, é nosso homem da tecnologia. Todas as edições, vinhetas e demais efeitos são produzidos por ele. Ele é também o grande investidor do canal, aportando todos os recursos para que tudo acontecesse e continue a acontecer sempre melhorando.








Krishna nos mandou outra pessoa também, que é bhaktin Giselle. Ela é uma designer com muita experiência. Ela criou o site e desenvolve todos os logos e imagens.



O terceiro integrante sou eu. Sou responsável por criar o conteúdo e a apresentação de algumas aulas, elaborar perguntas, convidar os palestrantes, sincronizar as agendas, divulgar os novos vídeos e esclarecer as dúvidas dos internautas.



Volta ao Supremo: Por que o nome Vedanta 108?

Jagadisha Dasa: “Vedanta” porque é o conhecimento mais importante dos Vedas; aquele conhecimento que nos traz um ponto final a toda e qualquer busca por felicidade neste mundo. Parafraseando as Upanishads, é aquilo que, sendo conhecido, torna tudo conhecido.



Normalmente, as pessoas acreditam que só existe o vedanta monista de Shankaracharya, mas há outros vedantas igualmente fundamentados nos textos. Então, a ideia era mostrar às pessoas que existe vedanta nas tradições de bhakti também.



Há a questão da divulgação também. Como nosso trabalho é 99% na web, o nome do nosso “negócio” precisava ser a palavra-chave que consta em nosso domínio, nome do canal etc.

O 108 é um número especial que aparece em muitas situações: o número de gopis de Krishna, o número de pedras no jogo de contas de meditação etc.



Volta ao Supremo: Que atributos em comum têm aqueles que são convidados a participar do canal?



Jagadisha Dasa: Compreensão da filosofia, capacidade de explicar sem vícios ou fanatismo, desejo sincero de propagar o conhecimento espiritual, a vivência do conhecimento. São esses alguns dos fatores que buscamos para atender à proposta do canal.




Volta ao Supremo: Os convidados, conforme sua personalidade e sua formação, revelam diferentes formas de abordar o conhecimento védico. Que características destacaria em alguns dos convidados que participaram até hoje?



Jagadisha Dasa: Sua Santidade Chandramukha Swami tem uma enorme habilidade para oratória. É carismático e sabe expor o ensinamento de tal maneira que facilmente se torna algo prático. Sua Graça Loka-sakshi Prabhu parece ter uma mente semelhante à de Vyasa e nos leva a reflexões profundas. Sua Santidade Purushatraya Swami fala com muita propriedade e carisma sobre os temas, e sua vivência profunda é nítida. Sua Santidade Yadunandana Swami é muito erudito e doce em suas palavras. Todos os palestrantes têm características admiráveis que nos fazem entender o porquê de estarem há tanto tempo na trilha do yoga.



Volta ao Supremo: Até o momento, qual seu vídeo favorito?



Jagadisha Dasa: Difícil dizer, mas “Retidão” (veja aqui), de Chandramukha Swami, e “Postura coerente na vida e na morte” (veja aqui), de Purushatraya Swami, são muito tocantes.



Volta ao Supremo: O público interage bem com o canal? Como vem sendo a resposta?



Jagadisha Dasa: Sim, a iniciativa foi recebida com muita satisfação por parte das pessoas. Até agora só tivemos feedbacks positivos. As pessoas se dizem muito gratas pelo serviço. Isso é mostrado pelo contador de “likes” e “dislikes” também, que é a ferramenta do Youtube que mostra o número de pessoas que opinou sobre ter gostado ou não do conteúdo ao qual assistiu. Os comentários deixados em cada vídeo também revelam aprovação.



Volta ao Supremo: Como é o processo de uma gravação?



Jagadisha Dasa: Quando as aulas são da Bhagavad-gita, são feitas na casa do Atmananda. Aquele lindo altar que aparece nos vídeos é cuidado por ele. Lá é mais simples de gravar, pois já está praticamente tudo “engatilhado”. Quando o local de gravação é outro, dá um pouco mais de trabalho. Por exemplo, se for no templo do Rio de Janeiro, temos de combinar bem certinho para que não haja interrupções ou barulhos. Chegamos sempre uma hora antes do horário programado para o entrevistado já encontrar tudo pronto para a gravação. É um trabalho de formiguinha, mas gera muita satisfação.



Volta ao Supremo: Quais os próximos convidados?



Jagadisha Dasa: Temos uma lista enorme, indicada pelos próprios devotos. Por enquanto, estamos gravando com aqueles que passam pelo Rio de Janeiro. Embora ainda não tenhamos gravado fora do Rio, isso vai ocorrer em breve, inevitavelmente.



Volta ao Supremo: Quais são outros planos do canal para o futuro? Que outros conhecimentos veremos no canal?



Jagadisha Dasa: Vem muita coisa boa! Aula de sânscrito, culinária, mridanga, harmônio, Upadeshamrita, Ishopanishad, Bhakti-rasamrita-sindhu, histórias do Mahabharata, passatempos de Krishna, dicas de saúde, alimentação e esporte direcionados aos praticantes de bhakti-yoga e outras coisas ainda mais interessantes, para as quais estamos nos preparando. Também teremos ayurveda, sânscrito, mantras, astrologia védica, vastu-shastra etc.

8.



Nós lançamos um website para facilitar o acompanhamento do conteúdo publicado. Estimamos que, em um ano, tenhamos mais de 300 vídeos. Assim, se fez necessária a criação do site www.vedanta108.com.br. Com ele, ficou bem fácil localizar as aulas e as entrevistas.



Enfim, que mudanças positivas são esperadas no interior de quem acompanhe os vídeos do Vedanta 108?



Jagadisha Dasa: Temos dois tipos de audiência no canal: o público que assiste sem compromisso a um vídeo ou outro, e o público que estabeleceu um compromisso para si de acompanhar as aulas regulares. As mudanças já estão acontecendo para ambos. Com os vídeos que temos publicado até o momento desta entrevista, como os de Purushatraya Swami, Chandramukha Swami, Yadunandana Swami, Lokasakshi Prabhu, Yamunacharya Prabhu etc., recebemos, semanalmente, vários depoimentos espontâneos das pessoas contando suas experiências. Muitas pessoas recebem um alento para um período de sofrimento, outras recebem inspirações para se manterem firmes na senda da vida espiritual, outras recebem respostas providenciais para momentos difíceis. Já os cursos regulares não abordam apenas um tema, mas sim todos os temas relacionados ao conhecimento védico ou vedanta. Nosso objetivo é publicar conteúdo contínuo que leve o estudante a um nível de entendimento mais profundo, onde os temas são conhecidos, concatenados e vivenciados. Isso também está acontecendo. Há muita gente sedenta não só pelo conhecimento, mas por uma metodologia que verdadeiramente viabilize sua prática.



Com isso, esperamos que as pessoas se sintam mais estimuladas a se aprofundarem no vedanta e absorvam esse conhecimento sem lacunas ou falsos entendimentos.



Todo o conteúdo das publicações de Volta ao Supremo é de inteira responsabilidade de seus respectivos autores, tanto o conteúdo textual como de imagens.

 

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